Economia & Mercado
A decisão da Justiça Federal do Ceará que suspendeu, na última segunda-feira (9), o megaleilão de R$ 515 bilhões em energia de reserva é apenas a ponta do iceberg de uma disputa bilionária de lobbies entre empresários das energias renováveis e tradicionais (hidrelétricas e térmicas) para continuar garantindo a segurança do sistema.
Essa guerra é financiada pelo consumidor diretamente na conta de luz. Empresas que defendem a energia limpa argumentam que o uso de mega-baterias tecnológicas poderia sepultar de vez a necessidade de acionar as poluentes termelétricas.
No entanto, há um gargalo a partir das 18h, quando o consumo do país atinge o pico, o sol se vai e as eólicas não dão conta sozinhas. É aí que o país precisa das térmicas para evitar um apagão nacional.
Outro impacto é o descarte que a produção massiva de baterias de lítio trará no futuro. O Ceará, de onde vem a decisão, é o estado onde está uma das gigantes do setor de transição energética, a Casa dos Ventos Renováveis, fundada em 2007 pelo engenheiro Mário Araripe.
Para a indústria pesada (mineração e celulose), que compra energia no mercado livre, o custo desses leilões de reserva é alto. Para o cidadão comum, o impacto é ainda maior, pois se o leilão cai e o sistema precisa acionar termelétricas, a cobrança vem direto em bandeiras tarifárias na conta de luz.
No portal O Brasilianista é possível acessar todos os detalhes da decisão judicial, os argumentos técnicos de cada lado e como essa disputa bilionária pode redefinir o preço da energia no Brasil.
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