Economia & Mercado
por Verônica Macedo
Publicado em 28/01/2025, às 07h54 - Atualizado às 07h56
A recente redução do dólar, na última sexta-feira, 24, com a cotação de fechamento em R$ 5,94, “reflete uma leitura de mercado que considera o tom do presidente Donald Trump em relação a uma possível guerra comercial com a China mais “ameno” do que se imaginava”. É o que diz Douglas Ferreira, diretor da mesa de câmbio da Planner Investimentos.
Segundo o especialista, fica difícil, no entanto, cravar se esse momento da moeda americana abaixo de R$ 6 veio para ficar. Portanto, para quem pretende se programar para uma viagem ao exterior, o momento é apropriado para iniciar compras.
De acordo com Ferreira, o mercado reagiu positivamente a pontos específicos mencionados recentemente por Trump, como a intenção de taxar importações da China e a disposição de dialogar com o presidente chinês, Xi Jinping, para um possível acordo comercial. “O mercado enxergou as declarações como um sinal de maior estabilidade nas relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo, o que favoreceu o aumento do fluxo financeiro em mercados emergentes, como o Brasil”, explica Douglas.
Apesar do alívio momentâneo, o especialista destaca que o cenário ainda apresenta incertezas, tanto externas quanto internas e, diante disso, fica difícil prever se o atual patamar da moeda americana irá persistir. “A permanência desse recuo da cotação é questionável, especialmente considerando os desafios fiscais do Brasil, que continuam sendo um fator de atenção para investidores”, avalia.
Compras graduais
Por isso, para quem planeja viajar ao exterior, Ferreira recomenda aproveitar as oportunidades de compra da moeda estrangeira gradualmente.
“A estratégia é sempre a mesma: adquirir a moeda aos poucos, mesmo durante períodos de queda, para diluir os riscos e tirar proveito das oscilações de mercado, que devem persistir ao longo do ano, dependendo dos desdobramentos nos cenários interno e externo. Dessa maneira, é possível minimizar, em alguma medida, o impacto das oscilações, evitando comprar tudo de uma só vez em um momento de alta. A estratégia reduz a exposição a variações bruscas", orienta.
Com um ano que promete movimentos intensos no mercado cambial, a orientação é acompanhar de perto os indicadores econômicos e aproveitar as oportunidades conforme elas surgirem.
Cartão ou moeda em espécie?
Uma opção para se proteger de uma eventual nova alta do dólar, antes ou durante uma viagem ao exterior, é investir em um fundo cambial, que, por sua vez, aplica 80% de seus recursos em ativos vinculados a moeda americana.
Ferreira ressalta ainda que a compra de dólar em espécie ou a abertura de uma conta fora do Brasil são as opções mais vantajosas. Para se ter uma ideia, o IOF (imposto sobre operações financeiras) para aquisições em espécie é de 1,1%, enquanto o uso de cartão pré-pago ou de crédito internacional tem uma alíquota mais alta, de 4,38%.
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