Economia & Mercado

Donos de Autoescolas protestam contra fim de obrigatoriedade na retirada da CNH: 'Fomos pegos de surpresa'

Henrique Brinco/BNews
Donos e representantes de Autoescolas foram para a frente da loja da BYD de Camaçari  |   Bnews - Divulgação Henrique Brinco/BNews
Vagner Ferreira e Alex Torres

por Vagner Ferreira e Alex Torres

Publicado em 09/10/2025, às 09h30 - Atualizado às 09h31



Donos e representantes de Autoescolas foram para a frente da loja da BYD, em Camaçari, que vai ser inaugurada na manhã desta quinta-feira (9) e contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para protestar contra o fim da obrigatoriedade dos serviços para a retirada da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). 

Entre os manifestantes, o instrutor Jorge Luiz Araújo explicou que a nova medida pode provocar um colapso no setor e colocar em risco a segurança no trânsito. Segundo ele, a percepção de que as autoescolas cobram caro é equivocada, já que boa parte do valor pago pelo aluno corresponde a taxas externas, como exames médicos e psicológicos, laudos e monitoramento de veículos.

“Muita gente acha que paga tudo à autoescola, mas não é bem assim. Só de taxas e exames já são mais de mil reais. Quando soma com as aulas práticas e teóricas, o valor parece alto, mas a maior parte não fica com a escola”, explicou.
O instrutor alertou também para as consequências no mercado de trabalho e no trânsito.

“Muitos colegas estão sendo demitidos porque as escolas temem prejuízos com a nova regra. Já há autoescolas em Feira de Santana dispensando instrutores. Se hoje, com aulas e acompanhamento, já existe um índice alto de acidentes, imagine sem essa preparação. O Brasil não tem a base educacional de outros países, tirar as aulas agora é colocar vidas em risco”, completou.

A diretora do Sindicato dos Funcionários de Autoescola, Suzana Barreto, também participou do protesto e destacou que a categoria foi surpreendida pela possibilidade de extinção das autoescolas, o que ameaça milhares de empregos em todo o país.

“Fomos pegos de surpresa com essa notícia e viemos aqui porque o presidente Lula está em Camaçari. Queremos que ele sente para dialogar conosco, com uma categoria que pode simplesmente desaparecer do mercado de trabalho”, afirmou.
Segundo ela, a retirada da obrigatoriedade das aulas práticas e teóricas para tirar a CNH deve causar um forte impacto social.

“Sem obrigatoriedade, não vai ter aluno. E sem aluno, não vai ter trabalhador. Estamos falando de 300 mil pais e mães de família que correm o risco de perder o sustento e os direitos garantidos pela CLT”, alertou.

Suzana contou ainda que o grupo tenta abrir diálogo com representantes do governo, mas até o momento não foi atendido.

“Até agora, ninguém parou pra conversar. Só o deputado Zé Neto chegou a falar rapidamente com a gente. Os demais passaram de vidro fechado. Mesmo assim, vamos continuar lutando, porque não é justo que uma categoria inteira seja extinta dessa forma”, completou.

O também diretor do Sindicato dos Funcionários de Autoescola, André Souza, reforça o sentimento de indignação da categoria diante da medida que acaba com a obrigatoriedade das aulas práticas e teóricas para obtenção da CNH. Com 25 anos de experiência como instrutor, ele afirma que a decisão representa um retrocesso e ameaça direta à segurança no trânsito.

“Eu me sinto envergonhado. Tenho 25 anos de profissão e, se tirarem a obrigatoriedade das autoescolas, eu não sei o que vou fazer”, desabafou. “O trânsito já é perigoso do jeito que está, mesmo com as aulas e o acompanhamento dos instrutores. Sem isso, vai ficar ainda pior.”

André lembrou que, antes da criação das autoescolas, a formação de condutores era precária, e muitos aprendiam a dirigir na prática, sem preparo técnico.

“Quando tirei minha habilitação, não era obrigatório fazer autoescola. Eu achava que sabia dirigir, mas só fui entender o que era realmente o trânsito quando fiz o curso de instrutor. Hoje, quem está no volante sem orientação coloca a própria vida e a dos outros em risco”, completou.

Por outro lado...

O secretário de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Augusto Vasconcelos, comentou sobre a manifestação: “Sindicalista, eu compreendo perfeitamente a luta sindical. O presidente Júlio é um uma pessoa muito comprometida, um cara trabalhador e a gente equacionou essa situação e entendemos que esse é um momento para toda a sociedade. Agora, é óbvio que tem elementos institucionais envolvidos. Tem questões logísticas que devem ser apuradas”, comentou.

“O presidente Lula vai ter essa oportunidade de buscar um entendimento, um bom senso para equacionar. Isso sem dúvida alguma é algo importante, mas não é a principal questão”, concluiu. 

Assista ao vídeo do protesto:

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