Economia & Mercado
por Maurício Viana
Publicado em 28/12/2024, às 05h30 - Atualizado às 05h30
Com os mais variados setores engajados durante as festas de fim de ano, o artesanato e a criatividade são bastante presentes e utilizados pelos micro e pequenos empreendedores que estão, cada vez mais, adequando-se à economia criativa com ferramentas tecnológicas e ideias sustentáveis.
Esse é o caso de Sidneia Anunciação, empreendedora do segmento de itens personalizados, e de dona Júlia e seus herdeiros, repsonsáveis por um legado que transforma objetos ao montar presépio comunitário no Natal, reciclando e dando nova vida à peças.
Proprietária da Neias Copiadora e Variedades, Sidneia se engaja durante os doze meses do ano concebendo presentes originais com a personalidade que o cliente deseja. Com a criação de cadernos, canetas, canecas e outras peças personalizadas, ela busca atender às demandas com cuidado e delicadeza, celebrando com as respostas dadas por cada cliente satisfeito.
“Me sinto feliz e realizada. Realizo cada produção com carinho e amor. Ver o retorno de cada cliente elogiando meu trabalho me traz a certeza de que fiz a escolha certa”, conta em entrevista ao BNews.
Sidneia também conta que a busca pelos personalizados tem sido alta no fim do ano. “Sim, a procura aumenta bastante no final do ano. Os produtos que têm mais saída são os bloquinhos, as agendas e canecas.”
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As peças procuradas evidenciam também o espóriro de cada época, já que, com o início de um novo ano, por exemplo, surge o interesse do público em ter bloquinhos e agendas para anotações, realizar planejamentos e organizações, entre outros fins. Já as canecas se saem bem como presentes de amigos secretos ou até na noite de Natal.
Celebrando, Sidneia colhe os frutos ao ver a movimentação na loja que mantém no piso L1 do Salvador Norte Shopping, dentro do Espaço Expo Mammis Kids. Além disso, tem levado seus materiais à feiras, onde interage com outros produtores e os expõe.
Trazendo princípios da criatividade para se inspirar e contagiar a todos ao seu redor, Júlia Izabel montou presépios por 60 anos, numa tradição herdada de sua avó, dona Bina. Sua obra, porém, tinha grande destaque pelas montagens que fazia, construindo desde as casas em que eram postas as figuras de Maria, José e do pequeno Cristo, como também outros detalhes, que contribuem com a atmosfera ao redor.
Para além da representação do nascimento de Jesus, "dona Júlia", como era conhecida pelas pessoas mais próximas, construía todo um universo em seu presépio, produzindo uma fonte que bombeava água de verdade, um carrossel, uma ferrovia, entre outros elementos.
Mas, o grande destaque de sua obra era o paredão rochoso feito com jornal amassado e pintado com tinta spray, simulando pedras de verdade. A reutilização de materiais era um tópico forte de sua criação. Para a construção das casas, eram utilizadas caixas de papelão, que, montadas, lembravam casinhas de brinquedo. Muitas vezes, as coisas que dona Júlia achava na rua, ela levava pra casa e realizava a sua curadoria, como também o uso na obra.
Para a filha Jane, dona Júlia se projetava naquilo que exibia a cada ano. "Era um resgate de culturas. Ela amava fazer isso, ela gostava. Era uma realização de criança que ela trouxe para nós, os filhos como crianças e para toda uma comunidade em Itapuã. Ela se sentia realizada em fazer esse trabalho e ela fez por anos. Ela passava o ano todo bolando como seria porque, a cada ano, ela fazia um tema diferente e se sentia realizada com o desfecho, o reconhecimento tanto da família quanto da comunidade católica do bairro de Itapuã, da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã", conta.
"Ela era sempre utilizada de muita criatividade, porque ela bolava muitas coisas, ela se projetava naquele Presépio, entendeu? Era realmente uma realização de um sonho. Onde ela passava um ano inteiro ali bolando, como ela ia fazer, o que ela ia colocar. Já tinha milhões de peças, mas ela sempre achava que precisava comprar mais peças, bolava com papéis, ela tinha sempre um papel diferente para colocar. Utilizava realmente de toda a criatividade possível para realizar o sonho dela, de mostrar às pessoas o trabalho dela e a realização de um sonho", afirma.
Mesmo após o falecimento de dona Júlia em 2018, o presépio ainda é celebrado e lembrado pelos moradores de Itapuã. A obra era feita na sala de sua casa, tomando metade do espaço e recebendo a todos que quisessem vê-lo. Ao todo, o presépio ficava montado por cerca de um mês e meio, indo desde os meados de novembro até após a festa do Terno de Reis, em 6 de janeiro. E artes como dessas mulheres se perpetuam através das gerações atuais e futuras por meio da economia criativa.
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