Economia & Mercado

Especialista destaca força do rádio e da tv, mesmo com revolução digital: "As coisas vão se complementar"

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Para especialista, mercado digital vai acompanhar a televisão e o rádio  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Metrópole
Matheus Simoni

por Matheus Simoni

matheus.simoni@bnews.com.br

Publicado em 05/11/2024, às 10h45



Diante do avanço da tecnologia e da força cada vez maior do streaming e da internet, a relevância da televisão e do rádio são questionadas por quem acompanha os meios de comunicação. No entanto, mesmo a revolução digital, os dois seguem com destaque e apreço por parte da população.

É o que avalia o especialista Guilherme Ravache, em entrevista a José Eduardo na Rádio Metrópole nesta terça-feira (5). Consultor digital e publisher, ele escreve para o Valor Econômico, além de atuar como consultor em projetos de jornalismo digital no Brasil e no exterior, com especialização na cobertura do mercado de mídia.

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Para Ravache, não há como imaginar formas de comunicação que excluam o rádio ou a televisão. "As pessoas colocam a energia no lugar errado e têm o prazer que as coisas vão morrer. Como se, para existir uma coisa, a outra teria que morrer. A gente continua com o livro e com o disco de vinil. Eu tenho uma visão de que, mais do que acabar, as coisas vão se complementar", avalia.


"Independente da plataforma que você está, há a necessidade das pessoas consumirem informação, a notícia. Ela evita que você pegue uma avenida interditada, permite que você faça melhores investimentos e te prepara para lidar melhor com o mundo que te cerca. Isso não vai acabar, essa dinâmica não muda. As pessoas falam que a TV vai morrer, mas quando você vê programas de TV tão presentes nas redes sociais, no próprio streaming, essa fronteira faz cada vez menos sentido", acrescentou o especialista.


Ravache cita dados que comprovam a força do rádio. Na avaliação dele, não há como decretar que o meio de comunicação está com seus dias contados. "O rádio é um verdadeiro colosso, mas como existe há muito anos, a gente tem uma imagem de que o rádio é ultrapassado e as pessoas não consomem. Uma pesquisa da Kantar/Ibope Media, empresa especializada em medição, e olha que interessante: o rádio, a principal media de áudio consumida no país, é ouvido por 79% da população. Ouvintes brasileiros dedicam em média 3 horas e 55 minutos por dia escutando conteúdo de rádio. A gente falar que a rádio está morrendo é um absurdo", declarou. 


No entanto, ele pondera que até mesmo as pesquisas devem tomar cuidado com as metodologias adotadas. "Todas as pesquisas de credibilidade apontam o rádio como um dos mais confiáveis meios de comunicação. O Brasil é muito particular, às vezes eu vejo as pessoas pegando dados de pesquisas do exterior em países que não tinham uma tradição de rádio ou TV tão forte como o Brasil e usam esses números. Isso acaba embaralhando a conversa", diz.


Ainda de acordo com Guilherme Ravache, mesmo com o crescimento do streaming, não há como superar a força da tv. Os preços individuais para os planos de assinatura são diversos, podendo variar de R$ 9 até R$ 60, nas opções de maior qualidade e número de telas. Ravache acredita que há muito a ser conquistado.

"Os dados e as pesquisas apontam a força da TV e do rádio no Brasil constantemente. Está mudando? Com certeza. A gente tem hoje uma concorrência maior de rede social, internet e streaming, mas isso não faz com que o rádio e a TV tenham se tornando pouco relevantes. O rádio é o meio de áudio mais consumido. As pessoas falam muito de podcast, tem crescido muito, mas é uma fatia muito pequena no mercado", declarou.

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