Economia

Especialistas contam como usar o 13ª da melhor maneira; confira

Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Publicado em 04/12/2021, às 06h31    Marcello Casal Jr. / Agência Brasil    Yasmim Barreto

Em meio à crise econômica imposta pelo coronavírus, o pagamento do 13º salário chega para injetar cerca de R$ 233 bilhões na economia em 2021, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No entanto, com a inflação impactando os hábitos de consumo da população, é importante que o trabalhador saiba como aplicar essa renda extra.

No Instagram, seguidores do BNews comentaram, em sua maioria, que vão destinar o 13ª salário para quitar suas dívidas. Confira:

Mas, será que esse é o melhor caminho? Pensando nisso, a reportagem conversou com especialistas que explicaram como usar o 13ª da melhor maneira. Veja as listas. 

Para o assessor de investimentos na ACT Investimentos, João Victor Moreira, utilizar o 13º para quitar dívidas pode ser uma boa escolha. Entretanto, o trabalhador deve analisar diversos fatores:

  • Entender o perfil da sua dívida - custo do dinheiro (juros), prazo de pagamento e condições de antecipação;
  • O consumidor deve fazer contas para julgar se será realmente interessante quitar de uma vez com o benefício trabalhista, ou tentar melhorar a condição de amortização dessas.
    “Veja o exemplo a seguir: O Consumidor tem uma dívida de 1000 reais, a um custo anual de 9% a.a, para amortizar em 24 meses. Ao final do período ele terá que desembolsar R$ 1.188,10, um juros de 188,00 no período. Agora imagine que, o consumidor tem a possibilidade de investir esse capital em um título seguro, com garantia e que gere a ele uma taxa de rendimento de 12% a.a (hoje é possível conseguir essa taxa de rentabilidade). Dito isso, investindo os mesmos 1000, ele terá ao final de 24 meses 1.254,40, dessa forma ele quita a dívida e ainda tem um certo ganho de capital. Nesse caso, é fundamental entender o perfil da sua dívida e ver se realmente vale a pena antecipa-la”, explicou.

Contudo, há outros caminhos indicados também. À reportagem, o especialista ressaltou que em momentos de crise a estratégia mais aconselhável é controlar o orçamento de forma “minuciosa”. O trabalhador deve optar por reduzir os fatos e trocar itens de consumo.

[Colocar ALT]
João Victor Moreira, assessor de investimentos na ACT Investimentos. 

“Entendam que, a inflação irá continuar e o 13º não vai mudar sua vida em termos de poder aquisitivo”, alertou. Todavia, o assessor de investimento indicou investir em cursos de capacitação ou renda extra: “pode ser um pontapé inicial para que você alcance patamares maiores”.

Com as especificidades de cada brasileiro, é imprescindível também levar em consideração as diferentes necessidades. Informou Rafael Sales, consultor econômico da Arazul Capital. Portanto, a recomendação do economista é poupar parte dessa renda extra em razão das “incertezas do próximo ano”.

[Colocar ALT]
Rafael Sales, consultor econômico da Arazul Capital.

“Aqui no Brasil ainda temos o problema do baixo nível dos reservatórios, o que tem mantido as tarifas de energia em patamares elevados. Significa que vamos conviver por um bom tempo com os preços elevados e, por isso, é importante guardar um pouco de dinheiro para aqueles meses em que as despesas da família se elevem por causa de aumentos de preços”, exemplificou Rafael Sales da Arazul Capital.

Confira a lista de como utilizar o 13ª da melhor maneira:

  • Investir em capacitação;
  • Quitar dívidas;
  • Investir em uma nova fonte de renda;
  • Investir no mercado financeiro.

Consumo consciente X salário mínimo

Conta de energia com bandeira vermelha, gasolina a R$ 7, gás de cozinha a R$ 100 e um salário mínimo de R$ 1.100. Não precisa de muito para saber que com esses valores, a conta não fecha. Está cada vez mais difícil superar esses obstáculos e colocar o pão de cada dia na mesa.

“É muito difícil nas atuais condições macroeconômicas, manter um patamar de vida aceitável com somente um salário mínimo”, analisou João Victor.

Para o especialista, a educação financeira para todos é o primeiro passo para que a população consiga estabilidade econômica. O que reiterou o consultor econômico da Arazul: “Existem estudos que mostram que, em média, adolescentes que tiveram educação financeira na escola se tornaram adultos com uma situação de crédito melhor e menos endividados. Por isso que medidas legais e de políticas públicas que instituam a educação financeira nas escolas são fundamentais para superarmos esta falha estrutural com o tempo”.

Além disso, Rafael Sales destacou que a educação financeira é também conhecer os produtos e serviços financeiros que existem no mercado, conhecer seus direitos como consumidor e buscar aconselhamento de profissionais qualificados.

À reportagem, o economista da ACT listou o escopo ideal para a distribuição de gastos de acordo com a renda de cada pessoa:

  • 50% da renda para gastos essenciais (moradia, alimentação, saúde e transporte)
  • 10 a 30% para investimentos (entender que devemos HOJE, cuidar do nosso eu do futuro)
  • 20% para lazer
  • 10 a 20% reserva para gastos eventuais ou inesperados

“Logicamente, isso é apenas um norte e nos atuais patamares inflacionários esse tipo de organização é muito difícil de ser alcançado. Entretanto, o hábito de controlar os gastos e entende-los já pode te colocar em uma situação bem favorável frente a maioria do médio brasileiro, uma vez que, será muito mais fácil se planejar”, João Victor.

Já Rafael Sales chama a atenção para um outro ponto. Segundo ele, o consumidor deve criar o hábito poupar dinheiro. “A primeira pessoa que deve ser paga com o seu salário é você mesma e nos pagamos na forma de poupança, não na forma de presentes caros. Quando você poupa você está dando um presente para o você do futuro”, completou o economista ao explicar qual a melhor maneira de utilizar o salário.

Por isso, o consultor econômico da Arazul listou formas de consumo consciente. Veja abaixo:

  • Comprar de maneira planejada e sempre escolhendo a melhor forma de pagamento;
  • Evite compras por impulso, principalmente no uso do cartão de crédito;
  • Lembrar que crédito não é renda, usar crédito é reduzir a renda de você mesmo no futuro;
  • Seus gastos mensais precisam ser pagos com suas receitas mensais;
  • É preciso saber planejar comprar algo e não recorrer ao crédito o tempo todo. Por exemplo: se planeje comprar um smartphone com poupança e acompanhe os preços. Esse tipo de hábito poderá até te ajudar a encontrar o melhor preço ou aproveitar uma promoção de alguma loja.

Classificação Indicativa: Livre