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Federação rural da Bahia é suspeita de desviar dinheiro para campanha política; entenda

Marcello Casal JrAgência Brasil
Federação contratou assessores de patido político e CPI do INSS encabeça suspeitas  |   Bnews - Divulgação Marcello Casal JrAgência Brasil
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 03/11/2025, às 14h07



Braço da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) na Bahia, a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado da Bahia (Fetag-BA) contratou cerca de 21 assessores do PCdoB. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) está suspeitando de desvios nas campanhas. 

De acordo com informações do Estadão, foram repassados R$ 2,7 milhões conforme apontam documentos de sigilos da CPI e correspondem aos períodos de 2021 e 2022 e de 2024 e 2025. A entidade conta com uma média de 400 sindicatos na Bahia –  que recebem 75% do montante, ante 20% das federações.

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A Contag afirmou que seus sindicatos e federações são autônomos e, por isso, não pode comentar os gastos da Fetag-BA. Já a Fetag-BA disse apenas que os beneficiários mencionados eram funcionários registrados e que os valores pagos se referem a salários e direitos trabalhistas, sem explicar o número elevado de repasses.

Integrantes da CPI suspeitam que os pagamentos realizados pela Fetag-BA possam estar ligados a financiamento indireto de campanhas eleitorais, já que ocorreram antes das eleições de 2022 e 2024 e foram destinados a pessoas ligadas a atividades políticas. A comissão identificou possíveis indícios como fragmentação de lançamentos, repasses reiterados, autocontratação de dirigentes e favorecimento político.

Entre os beneficiários, estão pessoas que trabalharam nas campanhas do deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA) e do ex-deputado e ex-presidente da Fetag-BA, Claudio Bastos (PCdoB-BA). Uma cabo eleitoral recebeu mais de R$ 185 mil em dois períodos (2021–2022 e 2024–2025). Já uma advogada ligada ao PCdoB recebeu mais de R$ 320 mil entre 2022 e 2024, além de pagamentos de campanhas eleitorais em 2018 e 2022.

Daniel Almeida participou recentemente de evento da Fetag-BA com o governador Jerônimo Rodrigues (PT), mas não se manifestou sobre o caso quando procurado.

O levantamento da CPI identificou outros beneficiários de repasses da Fetag-BA ligados a figuras políticas. Aliado de Claudio Bastos, José Alberto Rio de Araújo recebeu R$ 143,4 mil entre maio de 2024 e maio de 2025, em 27 pagamentos. Araújo afirmou que os valores correspondem a salários e despesas de viagem. 

A então vereadora de Vitória da Conquista (BA), Nildma Ribeiro (PCdoB), recebeu R$ 74,1 mil entre o fim de 2021 e o fim de 2022, período em que tentou a reeleição, mas não foi eleita.

O ex-vereador de Igrapiúna (BA) Vagner Cruz (PCdoB), ex-vice-presidente da Fetag-BA, recebeu R$ 48,2 mil entre maio de 2024 e maio de 2025, mesmo não ocupando mandato e, nas redes sociais, se apresentando como empresário do ramo agropecuário. 

O relatório também aponta R$ 372 mil pagos, nos dois períodos analisados, a Roberio Portela Fontes, dono de uma pequena distribuidora de bebidas em Salvador e marido de Aline Ferraz. Ele já foi assessor do ex-deputado federal Nelson Pellegrino (PT-BA). Aline e Roberio afirmaram que eram funcionários da Fetag-BA com carteira assinada, mas não explicaram a quantidade de repasses nem suas funções. 

Maior pagamento foi para empresa de tecnologia

A CPI do INSS identificou que o maior beneficiário de recursos da Fetag-BA foi Leonardo Sousa da França Silva, dono de uma microempresa de desenvolvimento de software. Ele recebeu cerca de R$ 590 mil somando pagamentos feitos à sua empresa e a ele como pessoa física. Foram 21 repasses entre 2021 e 2022 e outros 88 entre 2024 e 2025. Apenas para a empresa foram destinados R$ 352,1 mil desde o ano passado; já no CPF, os valores somaram R$ 238,1 mil. 

Além disso, a federação fez pagamentos a dirigentes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Bahia (CTB-BA). Entre eles, Maria Cristina Vitória da Silva, Paulo Ricardo Souza Soares – coordenador regional, que recebeu R$ 190,1 mil – e Marisa Alves da Silva, secretária de juventude, com R$ 109,5 mil.

Segundo a reportagem, a Contag afirmou que os recursos fazem parte de um acordo de cooperação técnica e que suas federações são autônomas. A entidade é presidida pela baiana Vânia Marques Pinto (PCdoB), ex-dirigente da Fetag-BA, e está no centro das investigações sobre descontos associativos ilegais. Ainda, o órgão nega irregularidades.

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