Economia & Mercado
por Verônica Macedo
Publicado em 24/04/2025, às 11h28 - Atualizado às 11h32
A HiPartners divulgou o Índice de Performance do Varejo (IPV) referente a março de 2025. O indicador acompanha o desempenho do varejo físico, medindo o fluxo de visitantes e a evolução de vendas e faturamento em lojas físicas e shopping centers de todo o Brasil. Os dados são oriundos das empresas FX Data Intelligence e F360, com análise da 4Intelligence.
O IPV apontou que, em março de 2025, o comércio varejista brasileiro registrou retração em relação ao mesmo período de 2024, contrastando com o desempenho mais aquecido observado em fevereiro. O fluxo de visitantes nas lojas físicas caiu 2%, enquanto nos shopping centers a queda foi ainda mais acentuada, atingindo 16%. As vendas e o faturamento também recuaram significativamente, com baixas de 5% e 6%, respectivamente.
“Os dados mais recentes da PMC (Pesquisa Mensal do Comércio), corroboram os números do IPV de março. O varejo brasileiro segue oscilando entre avanços pontuais e desaceleração estrutural. Mesmo com crescimento de 2,4% no varejo ampliado em janeiro (interanual), o desempenho ainda é moderado, principalmente nos setores sensíveis ao crédito”, explica Eduardo Terra, sócio da HiPartners.
Além disso, Terra destaca que a inflação de alimentos, as altas taxas de juros e as mudanças tributárias (como o programa Remessa Conforme) continuam influenciando a dinâmica do consumo.
Consequentemente, a queda no ticket médio geral, de -1,1%, indica uma perda de fôlego na atividade de compra. Por tipo de loja, o ticket médio nos estabelecimentos situados em shopping centers até apresentou alta de 3,4%, mas foi insuficiente para compensar as quedas observadas nas lojas de rua (-3,7%) e em regiões como o Sudeste (-1,5%) e Norte (-1,8%).
Panorama regional: Centro-Oeste sofre maior impacto e Nordeste lidera fluxo
A retração no faturamento foi generalizada entre as regiões brasileiras. O Centro-Oeste se destacou como a mais impactada, com queda de 14% tanto no faturamento quanto no fluxo de visitação. Por outro lado, o Nordeste apresentou um comportamento destoante: registrou um expressivo aumento de 9% no fluxo de clientes, mesmo com uma retração de 10% na receita.
Outras regiões também mostraram contraste entre movimentação e faturamento. O Norte teve crescimento de 5% no fluxo, mas viu suas receitas caírem 6%. O Sul seguiu a mesma linha, com +4% de visitas e queda de 7% no faturamento. O Sudeste, por sua vez, registrou retração em ambos os indicadores: -5% em fluxo e -4% em receita.
Na análise setorial, o IPV mostra uma paisagem mais fragmentada. Entre os destaques positivos, o setor de Móveis e eletrodomésticos cresceu 22% em faturamento no comparativo anual, beneficiado pela retomada do consumo de bens duráveis. Na outra ponta, o segmento de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos amargou queda de 17%, refletindo o arrefecimento da demanda após o pico pandêmico e maior cautela com despesas não essenciais.
“O recuo nas importações e o redirecionamento da demanda para o mercado doméstico explicam, em parte, o bom desempenho de segmentos como informática e móveis”, completa Eduardo.
Dia do Consumidor não impulsiona o varejo
Comemorado em 15 de março, o Dia do Consumidor em 2025 não trouxe o impulso esperado para o varejo físico. Os dados do IPV indicam retração no fluxo de visitação e também nas vendas durante a semana promocional e a primeira quinzena do mês.
Comparando a semana do Dia do Consumidor deste ano com a mesma semana de 2024, o fluxo de visitantes em shopping centers despencou 16%, enquanto nas lojas físicas em geral a queda foi de 5%. Na quinzena, os números seguem a mesma linha: -15% em shoppings e -1% em lojas físicas.
No faturamento, o cenário segue morno. Na semana da data comemorativa, houve retração de 3%, tanto no faturamento quanto nas vendas. Apenas na quinzena observou-se um tímido avanço de 0,31%, possivelmente impulsionado por promoções pontuais e aumento do ticket médio em segmentos específicos.
A análise regional do comportamento na semana do Dia do Consumidor revela que o Nordeste (+14%) e o Sul (+6%) foram os destaques em crescimento de fluxo de clientes. Em contrapartida, o Centro-Oeste registrou uma queda acentuada, com retração de 25% na semana e 21% na quinzena. O Sudeste também apresentou desempenho negativo, com redução de 10% na movimentação.
No prisma setorial, o destaque positivo vai para o segmento de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com crescimento expressivo no fluxo: +28% na semana e +40% na quinzena. O setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo também surpreendeu positivamente na quinzena, com alta de 34%, ainda que tenha caído -13% na semana.
Outros setores, como Móveis e eletrodomésticos (+8% na semana) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (+7% na quinzena), também apresentaram desempenhos mistos. Por outro lado, segmentos como Tecido, vestuário e calçados e Perfumaria e cosméticos recuaram de forma significativa, especialmente na semana promocional.
“O mês de março trouxe sinais importantes para o varejo. Apesar da retração de 6,3% no faturamento nacional e da queda no fluxo de clientes em shopping centers, vimos estabilidade nas lojas de rua e crescimento em regiões como Nordeste e Sul. Além disso, o setor de móveis e eletrodomésticos se destacou com alta de 22%, o que mostra que, mesmo em um cenário desafiador, há espaço para crescer com estratégia. O impacto tímido do Dia do Consumidor reforça que o consumidor está mais cauteloso, mas seguimos otimistas com abril, que será aquecido com a Páscoa. Ter uma gestão financeira eficiente e inteligência nos dados continuam sendo diferenciais para atravessar esse cenário e aproveitar as boas oportunidades", analisa Henrique Carbonell, CEO da F360, empresa responsável pelos dados de vendas e faturamento do IPV.
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