Economia

Itens da cesta básica sobem até 117% em um ano e comprometem mais da metade do salário mínimo

Agência Brasil

Dos 13 itens que compõem a cesta básica nacional, 12 ficaram mais caros no acumulado dos últimos 12 meses

Publicado em 30/04/2022, às 13h19    Agência Brasil    Redação BNews

O custo da cesta básica já compromete mais do que meio salário mínimo em boa parte do país. O responsável é o aumento acumulado de doze dos treze itens que compõem o kit, a exemplo do tomate que está 117% mais caro, segundo dados do Índice Nacional do Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) que traz uma prévia da inflação oficial de todo o Brasil.

De acordo com o portal G1, o IPCA – 15  também apontou que a inflação de abril foi 1,73%, a maior para o mês desde 1995 e a maior variação mensal do indicador desde fevereiro de 2003, quando alcançou 2,19%. Além disso, o grupo de alimentos e bebidas foi o setor que teve a maior alta no último ano até abril, sendo que, dos 50 maiores altas, cinco são considerados essenciais.

O preço da cesta básica vai variar de acordo com o estado. Em São Paulo, a capital mais cara, ela custa R$ 761,19. O valor da cesta é equivalente a mais que a metade do salário mínimo em 11 das 17 capitais pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Já Aracaju é a capital brasileira onde o preço é o menor, R$524,99, o que representa 43% do salário mínimo.

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O aumento do valor dos itens do kit acaba por diminuir o poder de compra dos brasileiros, além de fazer com que as famílias comprometam uma parte maior do orçamento doméstico com alimentação, explica, explica Patrícia Campos, supervisora da área de preços do Dieese.

Nesse cenário de variação de preços e fraca recuperação da economia no pós pandemia, onde muitas pessoas tiveram redução de renda, a situação fica ainda pior para o bolso do brasileiros. "Temos uma economia que não cresceu, mercado de trabalho precarizado e renda das famílias caindo. Nesse contexto, o aumento dos bens básicos é extremamente perverso", diz Campos.

O arroz foi o único item que teve redução de valor no último ano. De acordo com a analista, isso acontece porque as famílias não estão conseguindo mais comprar arroz, pois tiveram que diminuir a quantidade de refeições por dia, numa lei de oferta e procura.

"Impacta as famílias de baixa renda, que estão até dormindo mais cedo para pular uma refeição. Se pensarmos que uma pessoa que ganha R$ 1.212 [ o mínimo] gasta R$ 700 para comprar a cesta, R$ 150 para luz e R$ 150 para gás, não sobra nada", avalia.

Para Campos, faltou ao governo "uma política que freasse a inflação". "A política adotada é o aumento da taxa de juros, mas ela não trata a inflação na sua causa porque a economia brasileira está parada. O outro lado dessa perversidade é que o Brasil produz petróleo e comida, mas é aqui dentro que essa inflação está alta. Está tratando com um remédio amargo para a população inteira de modo que não gera emprego, gera postos precários, mas o problema não está aí, o problema é que a economia não cresce."

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