Economia & Mercado

“O nome Francisco é uma mensagem econômica desde o início", diz sociólogo sobre legado do Papa

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Saiba qual legado Papa Francisco deixou para a Economia  |   Bnews - Divulgação Foto de Arquivo / Vatican News

Publicado em 22/04/2025, às 08h23   Publicado por Vagner Ferreira



O Papa Francisco, que faleceu nesta segunda-feira (21), aos 88 anos, propôs discussões importantes da economia global durante a sua passagem como líder da Igreja Católica. É o que aponta o educador e sociólogo, Eduardo Brasileiro, autor do livro 'Outra Economia Possível: a proposta de Francisco'. Ele ressaltou que o pontífice, que foi eleito em 2023, trouxe contribuições históricas no compromisso com pessoas mais pobres. 

“O nome Francisco é uma mensagem econômica desde o início. Ele recusou os trajes dourados e usou apenas a batina branca, a cruz de prata e os sapatos trazidos da Argentina, com a poeira das ruas por onde andava”, disse Brasileiro, em entrevista ao Conexão BdF, do Brasil de Fato.

“O papa via no extrativismo e no endividamento dos países do Sul Global uma forma de dominação. Por isso, propôs, inclusive, o perdão das dívidas dos países pobres no jubileu de 2025”, continuou. “Cansado de dialogar com o FMI, Banco Mundial, líderes políticos, mas sem avanços, decidiu falar com os agentes da mudança: os jovens, os economistas populares, os movimentos sociais”, acrescentou.

O líder Católico originou a Economia de Francisco e Clara - em referência a São Francisco e Santa Clara de Assis -, e que reúne bancos comunitários, agroecologia, orçamento participativo e taxação das grandes fortunas. A proposta tinha como objetivo estimular a solidariedade e criticar a extração de riquezas e consequentemente a geração da pobreza, o declínio das leis trabalhistas e a desvalorização de organizações populares.

Brasileiro lembrou que esteve com o Papa em 2022 no encontro da Economia de Francisco e Clara, junto com outros jovens latinoamericanos, para apresentação de experiências econômicas concretas, como de bancos comunitários, agroecologia, orçamento participativo, renda básica e taxação das grandes fortunas, conforme a reportagem. Assim, percebeu um fator importante para a economia mundial. 

No entanto, com a vitória de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos, houve um recuo nesse cenário. “Ele (Francisco) percebeu que a oportunidade de diálogo com os Estados Unidos se reduziu a zero com Trump”, afirmou, segundo a reportagem. 

Vale ressaltar que os EUA têm grande influência na eleição do próximo pontífice. “Há uma força política dos EUA dentro do colégio, que tenta influenciar a sucessão papal com figuras mais conservadoras. É algo grave”, continuou.

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