Economia & Mercado

Patrimônio imaterial da Bahia: Caruru de São Cosme e Damião tem itens mais caros; confira valores

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Equipe do BNews foi à Feira de São Joaquim para saber sobre preços de insumos para Caruru de Cosme e Damião  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Internet
Vagner Ferreira e Dandara Amorim

por Vagner Ferreira e Dandara Amorim

Publicado em 17/09/2025, às 15h21



Patrimônio imaterial da Bahia, o tradicional Caruru de São Cosme e Damião movimenta os lares e os mercados no mês de setembro. Os valores, consequentemente, aumentam. A equipe do Bnews foi em uma das principais feiras de Salvador, a de São Joaquim, para saber como estão os preços dos insumos que são utilizados na comida típica. 

O comerciante Daniel Bispo está vendendo o quiabo, principal item do caruru, por R$ 20 a saca. No entanto, há locais, segundo ele, em que o preço está mais alto. “Tem algumas pessoas já vendendo por R$ 25”, disse, ressaltando que, apesar da alta, o item está vendendo muito bem.

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“O valor subiu antes da época que a gente estava esperando. Geralmente a gente prevê um aumento para o dia 15 em diante, mas há 15 dias atrás já teve uma alta boa”, acrescentou. 

Para evitar prejuízos, Daniel contou que usa uma estratégia para vender o quiabo sem precisar cortá-lo. “Eu conheço pela maciez, é muito tempo trabalhando. Na maciez eu consigo detectar se o quiabo está ruim ou bom”, explicou.

“Aqui tem tudo…”

Outro comerciante da feira é Eliseu Barreto, mais conhecido como Zeu, que possui uma banca na rua do Camarão. “Aqui tem tudo: tem camarão, tem quiabo até o gengibre. E as vendas no mês de setembro aumentam bastante, o movimento chega a triplicar”, evidenciou. 

Ele contou que tem recebido muitos convites para comer carurus, mas não dá conta de ir devido ao trabalho. “A gente trabalha tanto, a correria é tão grande que não sobra tempo não. É viola”, disse. “A gente abre aqui às 5h da manhã e fecha às 17h. Às 4h30 o pessoal já está aqui na porta e a gente trabalha o dia todo. É casa cheia e uma rotina cansativa, mas vale a pena”, continuou. 

O comerciante Jairton Pureza não fica para trás. “Temos todos os condimentos para um bom caruru”, disse de imediato, tentando vender o seu ‘peixe’. Aliás, peixe não, camarão. Este fruto do mar está custando a partir de R$ 22. “Eu tenho de R$ 22, R$ 44, R$ 46, R$ 48 e por aí vai”, expôs. 

Durante anos vendendo insumos para a celebração, um cliente tem ganhado destaque todos os anos na banca do comerciante. “Teve um que fez a promessa de que a cada ano iria aumentar 100 quiabo. Ele, hoje em dia, já está em 7 mil quiabos”, lembrou. Jairton contou também que já recebeu muitos convites para comer caruru e, para ele, tem que colocar muita pimenta “mas se exagerar é barril”.

Consumo e tradição

A consumidora Irani Bispo estava na feira com um balaio para arrecadar os mantimentos. Ela conta que tal gesto faz parte de uma tradição anual. 

“A gente começou a arrecadar no início no mês de setembro para a festa de Cosme e Damião, como uma tradição que a gente faz todo ano, que é sair na feira circulando”, explicou. Dentre os itens que não podem faltar, ela ressalta: “O mais importante é o azeite de dendê, não pode faltar”. 

Outra consumidora da feira foi Mary Ferreira, que já foi logo proferindo o que não pode faltar: “Camarão, amendoim, coco e azeite”. Ela mesmo realiza o preparo da comida. “Vatapá é uma delícia, caruru também, mas eu gosto do meu, é o melhor para mim”, concluiu, ditando sua preferência.

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