Economia & Mercado
por Verônica Macedo
Publicado em 04/07/2024, às 08h38 - Atualizado às 08h44
Educação financeira já virou matéria em sala de aula. Mas isso ocorreu apenas recentemente.Por gerações, não houve o costume de planejar, definir estratégias, estabelecer metas e, principalmente, manter disciplina na administração das finanças pessoais.
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Esses são os fundamentos para evitar entrar em um ciclo de endividamento, conseguir economizar para investir e levar uma vida com menos preocupações – ou seja, com mais estabilidade.
Análises e orientações como estas vêm da especialista em Planejamento Financeiro, Júlia Lázaro. Graduada em Administração pela UNESP, com especialização em Economia pela FGV, e CEO da Mitfokus, Júlia destaca que a educação financeira é crucial para todos, enfatizando especialmente sua importância para as mulheres. “Infelizmente, a realidade ainda é esta: 90% de nós, mulheres, recebemos salários 20% menores que os dos homens, segundo dados globais.”
Além disso, na maioria dos casos, as mulheres têm que lidar com a dupla jornada: trabalhar fora e cuidar dos afazeres domésticos, além de pausas para a maternidade. Não surpreendentemente, elas estão frequentemente presentes nas estatísticas de endividamento e inadimplência.
“Um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgado no último Dia Internacional da Mulher, revelou que este ano 80% das mulheres brasileiras estão endividadas. Essa realidade não pode ser aceitável”, sublinha a especialista.
Júlia é incisiva: “Não há independência feminina sem planejamento financeiro.” Planejar, portanto, é o primeiro passo para organizar o orçamento pessoal. Estabelecer objetivos e traçar meios para alcançá-los é essencial. Identificar e calcular as fontes de renda principal e adicional, eventual ou secundária, são condições indispensáveis.
E como fazer esse planejamento? A especialista sugere obter um extrato dos últimos tres meses e verificar a média mensal da relação entre receitas e despesas. Em seguida, projetar receitas, revisar custos, realizar uma avaliação detalhada das receitas e estabelecer metas de investimentos.
Diante desse diagnóstico, a próxima etapa é identificar e mapear despesas e possíveis gastos extras. Júlia oferece uma dica prática: elaborar um calendário anual de compras, indicando os meses ideais para determinados gastos.
“Por exemplo, comprar roupas de verão em junho ou julho, quando estão mais baratas. Além disso, aproveitar a Black Friday em novembro para adquirir eletrodomésticos e também para as compras de Natal”, orienta Júlia.
Outra recomendação é reservar uma parte da renda para emergências e imprevistos, além de destinar entre 10 a 20% para investimentos. Tudo isso envolve definir metas e desenvolver estratégias para alcançá-las. "Para isso, disciplina é fundamental", acrescenta a especialista.
Por fim, a profissional destaca a importância do cuidado financeiro, chamando-o de “tríade do poder feminino”. “Os três pilares mais importantes da vida são saúde fisica, saude emocional e saúde financeira”, explica, observando que esses elementos estão interligados.
E alerta: "Um estado emocional fragilizado pode levar ao descontrole nos gastos, enquanto finanças desajustadas podem causar preocupações e problemas que afetam tanto o psicológico quanto a saúde".
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