Economia & Mercado
Publicado em 19/05/2025, às 09h03 - Atualizado às 09h33 Publicado por Vagner Ferreira
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) apontam baixos investimentos em cuidados de prevenção por parte dos planos de saúde. Isso porque, dos R$ 350 bilhões arrecadados pelas companhias em 2024, apenas 0,25% foi direcionado para iniciativas de prevenção e promoção da saúde, o menor índice desde 2018, conforme análise da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) e da consultoria Arquitetos da Saúde.
De acordo com informações do jornal O Globo, algumas empresas - sobretudo as menores -, no entanto, seguem na contramão e se apropriam desta ideia para reduzir os custos com cirurgias e internações.
A SulAmérica, por exemplo, realizou um aporte de R$ 2,9 milhões para programas de prevenção em 2024, sendo 23,5% a mais que em 2023, mas compondo apenas 0,008% das receitas apuradas pela operadora.
A diretora de Gestão de Saúde da SulAmérica, Raquel Imbassahy, explica, no entanto, que tal investimento tem feito com que os índices de cirurgias sejam reduzidos em 47% na comparação de 2024 com o ano anterior. “É um investimento de longo prazo e que vai além da queda na sinistralidade, ajudando a controlar o absenteísmo e aumentando a produtividade dos trabalhadores”, disse, segundo a reportagem.
No Bradesco Saúde, dos R$ 12 milhões investidos, apenas 0,03% das receitas da operadora foram voltados para essa iniciativa. Ainda assim, a operadora soma uma baixa também de 47% na frequência de internações.
“Os incentivos estão totalmente à deriva. É preciso um redesenho do sistema para estimular a permanência dos contratos. E isso vai desde metas da ANS para que uma fração das carteiras esteja sob programas preventivos até exigências para as empresas empregadoras”, contou o diretor de pesquisa do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) e professor da FGV EAESP, Rudi Rocha, na reportagem.
“Essa análise de atendimentos recorrentes pode ajudar a detectar problemas precocemente ou tratar doenças de forma ambulatorial, o que é mais cômodo para o usuário e mais barato para a operadora”, critica a professora da FGVSaúde, Ana Maria Malik, ao O Globo.
Em contrapartida, a Leve Saúde, que é uma operadora menor, dedicou uma média de R$ 4,5 milhões no ano passado para programas de prevenção, sendo assim, um percentual de 1,5% das receitas.
“O mercado de saúde tem uma inflação alta, mas há anos isso se sustenta só com reajuste. As empresas precisam fazer ajuste de custo, mas acabam reduzindo cobertura ou aumentando a coparticipação, então a qualidade cai. Nossa ideia é tomar um outro caminho”, disse o diretor de Operações da Leve, Sandro Silva, na reportagem.
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