Economia & Mercado
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 01/05/2026, às 05h00
O 1º de Maio é um feriado que consagrou-se como marco internacional da luta de classes. A origem remete à greve de trabalhadores ocorrida em 1886, em Chicago, nos Estados Unidos, quando operários reivindicavam jornada de oito horas por dia e melhores condições de trabalho. O movimento entrou para a História como um dos marcos mais simbólicos da organização operária internacional e, desde então, a data passou a ser lembrada como Dia Internacional dos Trabalhadores.
Mais de um século depois, o feriado segue carregando essa memória, embora nem sempre com o mesmo significado. No Brasil, o 1º de maio foi oficializado como feriado nacional em 1924, durante o governo de Arthur Bernardes.
📲 Mantenha-se informado! Siga o CANAL DO BNEWS NO WHATSAPP e receba as principais notícias diretamente no seu dispositivo. Clique e não perca nada!
Documentos da época, guardados no Arquivo do Senado, mostram que a medida não se limitou a reconhecer a pauta dos trabalhadores: havia também a intenção de controlar o conteúdo político da data.
Até então, sindicatos e lideranças operárias usavam o 1º de Maio para organizar comícios e protestos contra a exploração no trabalho, em um país onde praticamente não existiam direitos trabalhistas consolidados.
O autor do projeto de lei que transformou o 1º de maio em feriado no Brasil foi Irineu Machado. Pelos vários discursos proferidos pelo senador em favor dos operários nas décadas de 1910 e 1920, entende-se que o seu objetivo com a proposta não era esvaziar politicamente o Dia do Trabalhador, ao contrário do que quis o presidente Arthur Bernardes.
Ao oficializar a data, o governo queria deslocar a ênfase da reivindicação para a celebração.
Na mensagem enviada ao Congresso em 1925, Bernardes afirmou que a substituição da luta pelos festejos já era uma "salutar tendência" e defendeu que a data passasse a consagrar o "trabalho ordeiro e útil".
Dia do Trabalho
Esse movimento de "domesticação" da data aprofundou-se alguns anos depois, com Getúlio Vargas. Sem alterar o decreto original de Bernardes, o governo varguista mudou o protagonismo do 1º de Maio e passou a usá-lo como ferramenta de aproximação com os trabalhadores e de fortalecimento da imagem do Estado como mediador das relações de trabalho.
Durante o Estado Novo, o feriado se transformou em palco de grandes discursos, desfiles e celebrações públicas. A mensagem era clara: as conquistas trabalhistas apareciam como benesses do governo, e não como resultado da organização dos próprios trabalhadores.
Em 1º de maio de 1943, Vargas assinou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), reforçando a simbologia política da data.
Antes disso, o país ainda dava seus primeiros passos na legislação trabalhista. Quando o feriado foi instituído, havia basicamente duas regras mais amplas sobre o tema: uma, de 1923, que previa aposentadoria apenas para funcionários das ferrovias; outra, de 1919, que garantia indenização em caso de acidente de trabalho.
Assim, o nome que acabou prevalecendo no calendário oficial brasileiro: "Dia do Trabalho" contribuiu para suavizar a lembrança direta da luta dos trabalhadores, sendo inscrita na memória coletiva como um dia para lazer e descanso e eventos institucionaios — e não de protestos contra empresários e governos.
Classificação Indicativa: Livre
Qualidade Stanley
Limpeza inteligente
Baita desconto
Cupom de lançamento
Imperdível