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“Precisamos cobrar mais celeridade do estado”, diz presidente da Abrasel na Bahia sobre bebidas adulteradas

Imagem “Precisamos cobrar mais celeridade do estado”, diz presidente da Abrasel na Bahia sobre bebidas adulteradas
presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) conversou com BNews com exclusividade  |   Bnews - Divulgação
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 03/10/2025, às 10h11



Nos últimos dias, casos de intoxicação de bebidas alcoólicas por metanol, um composto altamente tóxico, vêm ganhando repercussões em todo o Brasil. Investigações apontaram que destilados populares como gim, vodca e uísque estavam sendo batizados com a substância. 

De acordo com o Ministério da Saúde, foram registradas 59 notificações de intoxicação até esta quinta-feira (3), incluindo casos suspeitos e confirmados. Destes, 53 casos foram registrados em São Paulo, cinco de Pernambuco e um no Distrito Federal. 

No entanto, na manhã desta sexta-feira (3), a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e a Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana informaram sobre o registro de um caso suspeito em Feira de Santana. O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Leandro menezes, conversou com o BNews com exclusividade sobre o assunto.

Confira entrevista na íntegra:

-> Mesmo em estados sem casos registrados, como a ABRASEL orienta bares e restaurantes a prevenir a venda ou consumo de bebidas adulteradas?

Diante dos casos em investigação, estamos orientando que os bares e restaurantes em todo Brasil dobrem sua atenção em relação ao processo de recebimento de bebidas. Vale ressaltar que já acontece um controle muito grande dentro das nossas operações, no recebimento e manipulação de alimentos e bebidas, mas diante dos casos, e da demora na investigação, devemos dobrar essa atenção.

-> Embora a adulteração por metanol tenha ocorrido principalmente em destilados, as cervejas e os vinhos podem ser afetados? Diante da crise de contaminação, é esperado que o consumo de cervejas aumente, diminua ou permaneça estável, e por quê?"

Cervejas e vinhos são mais difíceis de serem adulterados com metanol, mas existem outros tipos de adulteração e a gente vê que estão acontecendo as falsificações das cervejas. Por exemplo, a verdinha, que está na moda e todo mundo gosta, pode ter muita fábricazinha de fundo de quintal que pega outro tipo de cerveja e coloca dentro dessas garrafinhas verdes para acabar vendendo. O que acontece é que pegam um whisky mais barato e coloca dentro de uma garrafa mais cara e acabam vendendo. Então, infelizmente, a procedência das bebidas no Brasil é sempre muito duvidosa. Nos bares e restaurantes, ela acontece com menor impacto, porque a gente tem que comprar tudo de maneira correta, com nota fiscal e tudo, o que acaba sendo mais seguro do que se comprar, por exemplo, uma garrafa de bebida dessa avulsa em um distribuidor informal que existe em um determinado bairro. Mas também não tem como generalizar. 

-> Existem programas de treinamento ou materiais para funcionários e proprietários identificarem bebidas suspeitas antes que se tornem um risco?

Sim. Desde a quarta feira (1°) iniciamos uma série de treinamento online para auxiliar os empreendedores e trabalhadores de bares e restaurantes a identificarem uma bebida suspeita de adulteração, e como evitar que as garrafas sejam utilizadas para esse tipo de situação. Somente no primeiro dia tivemos 10 mil pessoas passando pelo treinamento. Para quem tiver interesse em participar do treinamento, o link está no perfil de IG abrasel_ e abraselbahia. 

-> De que forma a ABRASEL colabora com o Ministério da Saúde e órgãos estaduais para monitorar e garantir a segurança das bebidas, mesmo em regiões sem incidentes?

Bares e Restaurantes não produzem bebidas, apenas manipulam e comercializam, portanto as ações de monitoramento precisam acontecer nas indústrias e nos distribuidores. A Abrasel sempre cobrou uma fiscalização mais efetiva para garantir a procedência das bebidas. Mas infelizmente o poder público é muito conivente com as falsificações de todos os tipos no Brasil, e só costuma agir pontualmente quando ocorre uma tragédia.

-> Que recomendações a associação oferece para que os clientes possam consumir bebidas com segurança, evitando riscos mesmo em locais sem histórico de intoxicação?

Nossos familiares são também clientes de diversos bares e restaurantes, o que reforça o cuidado que temos em nossos estabelecimentos, para que todas as famílias possam consumir com segurança. Nesse momento estamos redobrando a cautela, e o cliente que estiver mais inseguro, pode procurar os estabelecimentos que ele já costuma frequentar, que conhece o garçom, o dono. Se necessário, pode pedir educadamente para ver a garrafa de bebida, para ver a nota fiscal de compra. Precisamos cobrar mais celeridade do estado para concluir as investigações, evitar que novos casos aconteçam, punir os responsáveis, e trazer tranquilidade para quem trabalha e frequenta bares e restaurantes, ou que consome sua bebida em casa.

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