Economia & Mercado
Uma área litorânea da América do Sul entrou no radar de um empresário norte-americano que pretende criar uma nova civilização financiada por investidores de tecnologia e criptomoedas. O projeto, chamado Praxis, prevê um investimento de aproximadamente US$ 1 bilhão nos próximos três anos para instalar uma comunidade no Uruguai, com foco em inteligência artificial, inovação e novos modelos de organização social.
A iniciativa é liderada por Dryden Brown, ex-surfista profissional da Califórnia que passou a defender a criação de uma espécie de cidade do futuro. Apesar das ambições do empresário, o plano ainda não está fechado, e o acordo para a instalação do empreendimento não é vinculante.

As informações são da coluna Terra à vista, do portal UOL, que detalhou os planos da empresa e as controvérsias envolvendo a proposta.
A Praxis pretende ocupar cerca de 20% do empreendimento +Colonia, projeto imobiliário em desenvolvimento nas proximidades de Colonia del Sacramento, no Uruguai. A área prevista corresponde a aproximadamente 350 mil metros quadrados de área construída.
O +Colonia busca atrair empresas, investidores e profissionais de tecnologia, com a proposta de se tornar um centro de inovação na América Latina. A parceria com a Praxis pretende ampliar essa estratégia, atraindo moradores interessados em desenvolver projetos relacionados à inteligência artificial.

Segundo a empresa, cerca de 2,5 mil pessoas já manifestaram interesse em se mudar para a futura comunidade. A companhia também afirma ter 150 mil membros, embora números anteriores divulgados pelo grupo tenham apresentado diferenças em relação à documentação interna citada por reportagens.
A Praxis começou a captar recursos em 2021 e, em 2023, havia reunido US$ 20 milhões. Entre os investidores estavam uma empresa de capital de risco ligada a Sam Altman, da OpenAI, e Sam Bankman-Fried, empresário do setor de criptomoedas condenado por crimes financeiros. Em 2024, a companhia também obteve uma linha de crédito de US$ 500 milhões de uma empresa do setor cripto.
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Brown foi alvo de acusações feitas por ex-funcionários, que o apontaram por supostos comportamentos racistas e misóginos. O empresário também já descreveu a iniciativa com termos como “criptoestado” e defendeu, em documentos anteriores, a criação de uma entidade política autônoma apoiada por sistemas de inteligência artificial.
Após anunciar a escolha do Uruguai, porém, a Praxis afirmou que a comunidade funcionará dentro da estrutura constitucional, legal e democrática do país. Brown também declarou que o projeto não pretende criar um território independente.

O empresário planeja se mudar para o Uruguai até o fim de 2026, enquanto a chegada dos primeiros moradores está prevista para 2027. A proposta é desenvolver ferramentas de inteligência artificial para ajudar os integrantes da comunidade a apresentar projetos, coordenar iniciativas coletivas e organizar financiamentos.
Brown chegou a se reunir com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, durante a cúpula da Organização das Nações Unidas, em Nova York, em setembro. O encontro ocorreu em meio às articulações para a implantação do projeto no país.
A iniciativa também reacendeu discussões sobre empreendimentos privados que buscam modelos próprios de governança. Críticos apontam riscos de concentração de poder e possíveis conflitos com a soberania nacional, enquanto defensores veem projetos desse tipo como oportunidades para experimentar novas formas de inovação.
Por enquanto, a instalação da Praxis no complexo +Colonia segue em fase de articulação, sem que o acordo tenha caráter vinculante.
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