Economia & Mercado
A relação entre Brasil e Estados Unidos atravessa o pior momento desde a redemocratização brasileira, há mais de 40 anos. E, segundo analistas americanos ouvidos pelo UOL, apesar da crise atual, a situação ainda pode se agravar.
A reportagem reuniu os principais pontos que marcaram o recente acirramento nas relações entre os dois países.
"Está claro que, quando Donald Trump lança uma iniciativa como essa, trata-se do começo, e não do fim da história", afirmou Tom Shannon, ex-embaixador dos EUA no Brasil e ex-subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental.
Shannon se referia a uma série de medidas tomadas por Washington em julho que afetaram diretamente o Brasil. No dia 9, Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Já no dia 15, o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) abriu uma investigação contra o país por supostas práticas desleais de comércio.
Poucos dias depois, em 18 de julho, o governo dos EUA impôs restrições de entrada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e a "seus aliados na Corte". Segundo apuração da coluna, a medida atingiu também outros sete ministros do STF e o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, embora o Departamento de Estado americano não tenha divulgado oficialmente os nomes.
"Se por um lado esse conflito parecia inevitável, considerando as posições políticas dos presidentes, o choque cultural nas interpretações sobre liberdade de expressão e os aliados e desafetos de cada lado, ainda assim surpreende ver Trump impor uma tarifa de 50% ao Brasil", avaliou Nick Zimmerman, consultor da Dinámica Americas e ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca para assuntos do Brasil e do Cone Sul.
Na prática, a taxação pode inviabilizar temporariamente cadeias produtivas inteiras nos dois países. E essa não foi a única medida considerada extrema.
"É verdade que Trump tem recorrido a tarifas como ferramenta para alcançar diversos objetivos, tanto diplomáticos quanto comerciais, independentemente de se tratar de parceiros ou adversários. No entanto, o que ele impôs ao Brasil é algo sem paralelo. É a primeira ocasião em que Trump demanda que o governo de um país intervenha diretamente no funcionamento de seu próprio Poder Judiciário", declarou Will Freeman, pesquisador especializado em América Latina no Council on Foreign Relations.
O ponto destacado por Freeman também foi enfatizado pela revista britânica The Economist, que, em um editorial publicado na semana passada, chamou atenção para os riscos institucionais envolvidos na recente postura adotada por Washington em relação ao Brasil.
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