Economia & Mercado

Rentabilidade das empresas na B3 deve continuar negativa em 2025, aponta especialista; entenda

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Cenário em 2025 para companhias listadas na B3 não é otimista, segundo especialista  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Pixabay
Verônica Macedo

por Verônica Macedo

veronica.macedo@bnews.com.br

Publicado em 06/01/2025, às 12h37 - Atualizado às 12h39



A decisão do Comitê de Política Monetário (Copom) do Banco Central deve continuar subindo a taxa de juros, chegando a 14,25% em março de 2025. Especialistas apontam que as companhias devem ter ainda mais dificuldades para atrair investimentos, expandir atuação e quitar seus débitos.

A questão é que com os juros tão altos, as empresas não conseguirão rentabilizar o capital em magnitude suficiente para ‘cobrir’ o custo do dinheiro nos níveis atuais (e do futuro próximo), o que reduz os investimentos, a atração de capital produtivo, entre outros efeitos colaterais. Em 2024, a política de juros somada a outros cenários fez com que US$ 148 bilhões evaporassem do mercado de capitais.

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Quem explica a equação é Flávio Málaga, sócio fundador da MÁLAGA Assessoria em Finanças Corporativas e Contabilidade Societária. O especialista, que também é professor no Insper, PhD em administração, e que atua em avaliação e emissão de opiniões técnicas em casos que envolvam cálculos de danos econômico-financeiros, estudou os números das 261 empresas listadas na B3 entre 1 de outubro 2023 a 30 de setembro de 2024, e concluiu que 75% delas (ou 196) obtiveram rentabilidade inferior a 13,5% ao ano em 2024.

Desse levantamento, considerando a taxa básica da economia, sua trajetória ascendente e o prêmio de risco que deve ser somado a ela, o especialista concluiu que a maioria das empresas não gera valor no Brasil. “Simplesmente elas não possuem modelos de negócios fortes o suficiente para entregar uma rentabilidade acima do custo do dinheiro que, por sua vez, é função da percepção de risco do país e da expectativa de inflação”, explica o professor.

Málaga revela que, dentre as 261 empresas listadas na B3 e com liquidez, 75% delas (ou 196) obtiveram rentabilidade inferior a 13,5% ao ano em 2024. “Considerando a taxa básica da economia (11,25%), sua trajetória ascendente e o prêmio de risco que deve ser somado a ela, conclui-se que a maioria das empresas não gera valor no Brasil. Simplesmente elas não possuem modelos de negócios fortes o suficiente para entregar uma rentabilidade acima do custo do dinheiro que, por sua vez, é função da percepção de risco do país e da expectativa de inflação”.

Outra conclusão de Málaga é que a rentabilidade média das 261 empresas foi de 7,76% ao ano, com 45 companhias gerando rentabilidade negativa. A média foi de 9,3%. De acordo com o especialista, para ser considerada com uma rentabilidade ótima, a companhia precisa ter como índice 20% ao ano.

O aumento do custo do dinheiro também se reflete no valor das empresas: o total da quantia somada destas 261 empresas caiu desde o início do ano de US$ 554 bilhões para US$ 406 bilhões, retrocesso de 27% em nove meses. Os US$ 148 bilhões em valor evaporaram do mercado de capitais em 2024. “Esta perda de valor possui alta difusão: foi gerada por 228 empresas (87% das 261), ou seja, é um fenômeno sistêmico, decorrente da conjuntura”, explica.

No mercado financeiro, uma Selic mais alta deixa a moeda mais cara, torna as condições para comprar a prazo ou pedir financiamentos e empréstimos mais difíceis, o custo de vida mais elevado e o apetite pela bolsa de valores diminui. Também é impactada a taxa de câmbio, além de reduzir a demanda dos investidores por ativos de risco.

“Neste caso, na renda variável, o maior custo de dívida das empresas pode influenciar a forma como investidores calculam o que seria o valor justo das ações das companhias listadas, diminuindo o apetite pela bolsa de valores”, afirma Flávio Málaga. “Ressalta-se que a taxa de juros não é causa, mas sim consequência de uma economia desestruturada. Cabe ao Governo compreender as causas e atuar sobre elas”, completa.

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