Economia & Mercado
por Vagner Ferreira
Publicado em 28/08/2025, às 11h06 - Atualizado às 11h30
A Operação Carbono Oculto, que está investigando a participação do Primeiro Comando da Capital (PCC), com mandados de busca e apreensão, está mirando em empresas de investimentos localizadas na Faria Lima, luxuoso centro financeiro de São Paulo. Isso porque, segundo a Receita Federal, gestoras e fintechs estão sendo utilizadas para lavagem de dinheiro.
De acordo com informações do jornal O Globo, a Reag Investimentos, que gere recursos de ações negociadas na B3, está entre as principais empresas investigadas. No geral, ao menos 40 fundos de investimentos estavam sob o comando do PCC, avaliados em R$ 30 bilhões e que eram usados para ocultar o patrimônio. "Esses fundos de investimentos foram utilizados como estruturas de ocultação de patrimônio", informaram os auditores federais, conforme aponta a reportagem.
As fintechs eram usadas com mais frequência do que as próprias instituições bancárias tradicionais por serem consideradas mais difíceis de identificação. A BK Bank, por exemplo, tinha a função de realizar transferências de dinheiro em contas não rastreáveis, fazendo com que a organização criminosa elevasse os lucros na cadeia produtiva de combustíveis, que eram, depois, direcionados para fundos de investimentos.
Os principais bens adquiridos através dos fundos foram: um terminal portuário; quatro usinas produtoras de álcool; 1.600 caminhões para transporte de combustíveis; e mais de 100 imóveis, sendo uma casa em Trancoso/BA, avaliada em R$ 13 milhões.
"Os indícios apontam que as administradoras dos fundos estavam cientes e contribuíram para o esquema, inclusive não cumprindo obrigações com a Receita Federal, de forma que sua movimentação e a de seus cotistas fossem ocultadas da fiscalização", diz a Receita.
Entre as companhias que estão no alvo da operação da Polícia Federal também estão o Banco Genial, a Trustee DTVM, o Banvox e o BK Bank.Este último movimentou mais de R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024, sem contar com uma média de mais de 10,9 mil depósitos em espécie, com montante total acima de R$ 61 milhões. "A fintech era um poderoso núcleo financeiro da organização criminosa, porém invisível para ações de controle e fiscalização", comunicou a Receita Federal.
"Era dessa forma que as operações de compensação financeira entre as distribuidoras e os postos de combustíveis eram realizadas, assim como compensações financeiras entre as empresas e os fundos de investimentos administrados pela própria organização criminosa. A fintech era usada ainda para efetuar pagamentos de colaboradores e de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores do esquema", continuou o órgão.
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