Economia & Mercado
por Vagner Ferreira
Publicado em 24/11/2025, às 11h41 - Atualizado às 11h41
Técnicos do Banco Central (BC) disseram, em investigação a Operação Compliance Zero para a Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público, que sofreram pressão política sem precedentes para tentar salvar o banco Master, conforme aponta o portal Uol.
Investigações apontam que o lobby envolvendo o Banco Master foi relatado por servidores experientes, que afirmam nunca ter visto algo parecido no setor financeiro. Após a Polícia Federal deflagrar a Operação Compliance Zero, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, medida que deve resultar no maior ressarcimento da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo a investigação, o documento de liquidação já estava pronto antes mesmo da operação, mas só foi assinado após a ação da PF para reduzir pressões internas. No entanto, desde julho já se sabia que as irregularidades na negociação entre Master e Banco de Brasília (BRB) haviam criado um conflito dentro do próprio BC.
Havia indícios fortes de que os créditos bilionários comprados pelo BRB não tinham lastro. Uma minuta de intervenção chegou a ser preparada, articulada pelos diretores Renato Gomes e Gilneu Vivan, mas foi barrada pelo diretor de Fiscalização, Aílton Aquino.
Enquanto isso, articulações também ocorriam no Congresso. Senadores tentaram instalar uma CPI Mista para investigar a compra do Master pelo BRB, mas o autor do pedido, Izalci Lucas, recuou após dizer ter recebido documentos que teriam esclarecido o caso. Nos bastidores, o senador Ciro Nogueira, aliado do dono do banco Mastere, Daniel Vorcaro, foi apontado como o principal responsável por enterrar a comissão.
Ciro já havia atuado em outra frente em 2024, ao tentar incluir na PEC da autonomia financeira do BC, uma emenda que aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC. A proposta, apelidada de “emenda Master”, beneficiaria diretamente o banco e acabou rejeitada.
A pressão também alcançou a Caixa Econômica. A instituição chegou a afastar dois gerentes que se opuseram à compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do Master, consideradas arriscadas. Um parecer interno classificava a operação como “atípica” e de risco elevado. Com a repercussão, a compra não foi adiante.
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