Economia & Mercado

Uso de kits importados na montagem de veículos ameaça quase 70 mil empregos no Brasil

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Estudo alerta que substituição da produção nacional por modelos de montagem simplificada pode causar perda econômica de R$ 103 bilhões para o setor de autopeças  |   Bnews - Divulgação Foto: Ilustrativa / Pexels

Publicado em 20/01/2026, às 20h15   Cibele Gentil



Um levantamento divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) acende um alerta sobre o futuro do parque industrial brasileiro. O estudo aponta que a troca da produção automotiva integral pela montagem de kits importados, conhecidos como regimes CKD e SKD, coloca em risco imediato 69 mil empregos diretos e aproximadamente 227 mil postos indiretos em toda a cadeia produtiva.

Além do impacto social, a entidade estima um prejuízo econômico de R$ 103 bilhões para os fabricantes de autopeças e uma queda de R$ 26 bilhões na arrecadação tributária anual. Há também o risco de uma retração de R$ 42 bilhões nas exportações, o que seria prejudicial à balança comercial do país.

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Pressão por fim de benefícios

A divulgação do estudo da Anfavea não aconteceu na última semana por acaso. O setor vive um momento de forte pressão política com o vencimento, no próximo dia 31 de janeiro, de uma cota que permite a importação de veículos eletrificados desmontados com alíquota zero de imposto. A medida, que beneficiou diretamente as operações da BYD no último ano, enfrenta resistência de montadoras tradicionais como Toyota, General Motors e Volkswagen, representadas pela Anfavea.

O presidente da Associação, Igor Calvet, ressalta que a entidade não se opõe à concorrência ou aos modelos de montagem em si, mas defende que não haja renovação de isenções para altos volumes de produção sem a contrapartida de agregação de valor nacional. A Anfavea argumenta que modelos produtivos simplificados não desenvolvem cadeias de suprimentos locais nem geram empregos qualificados na mesma proporção que a fabricação integral.

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