Economia & Mercado

Vai no pão seco: Café da manhã fica mais caro e pesa no bolso do brasileiro

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Após um 2025 de preços baixos, o leite volta a pesar no bolso do consumidor com aumentos consecutivos em 2026  |   Bnews - Divulgação Pixabay / Ilustrativa
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 15/04/2026, às 07h45 - Atualizado às 07h58



O leite voltou a pesar no bolso e não é pouco. Depois de um 2025 de alívio nas gôndolas, 2026 começou com o preço subindo em sequência. E, desta vez, não há um único vilão: é uma soma de produção menor, custo maior no campo e pressão que chega direto ao consumidor.

Em março, o leite longa vida disparou 11,7%. Veio na esteira de uma leve alta em fevereiro (+1,2%) e de um recuo em janeiro (-5,6%), mas o salto mais recente foi suficiente para puxar o grupo de alimentação no IPCA. Não ficou só nele. Iogurte, queijo e leite em pó também encareceram — aumentos menores, mas consistentes.

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Menos leite, preço mais alto
O ponto de partida está na origem: tem menos leite sendo produzido. Nos dois primeiros meses do ano, a captação caiu 3,6%. Estados com peso na pecuária leiteira, como Minas Gerais, Paraná e Goiás, sentiram mais esse recuo.

Com oferta menor, a conta muda rápido. A indústria precisou pagar mais pelo leite cru — alta de 5,43% em fevereiro — e esse custo não ficou no meio do caminho. Foi parar na prateleira no mês seguinte.

Produzir ficou mais caro
Nem só de oferta vive o problema. O custo para manter o rebanho também subiu. Em janeiro, o gasto operacional da atividade avançou 1,32%. Em fevereiro, mais 0,32%. Pode parecer pouco isoladamente, mas, somado, pressiona a margem do produtor.

Tem um fator sazonal que pesa: o clima. Nesta época do ano, a qualidade das pastagens cai. Resultado: mais gasto com ração e nutrição do gado. A conta fecha — e ela não fecha barata.

Em fevereiro, o litro do leite estava em R$ 2,14 no país, último dado disponível.

Combustível entra na equação
Abril deve trazer mais pressão. A alta dos combustíveis já registrada em março — diesel subindo 13,9% e gasolina 4,59% — tende a encarecer o frete. E, no setor de alimentos, transporte pesa. Do campo até o supermercado, cada quilômetro entra na conta final.

Tendência ainda é de alta
A expectativa é de continuidade. Menos oferta, demanda firme e custos elevados formam um cenário que sustenta novos aumentos.

No setor, há quem trate o movimento como uma correção. O leite UHT, por exemplo, vinha de um período de preços muito baixos. Ainda assim, o valor pago ao produtor segue abaixo da média histórica, mesmo com as altas recentes.

O contraste com 2025
O cenário atual contrasta com o ano passado. Em 2025, o litro do leite ficou 12,87% mais barato. Houve produção recorde, crescimento de 8,1%, e entrada pesada de produto importado: 2,1 bilhões de litros vindos do Mercosul. Com oferta sobrando e consumo sem acompanhar, os preços cederam.

Agora, o jogo virou. E há um incômodo antigo reaparecendo: a concorrência externa. No primeiro trimestre, o Brasil exportou US$ 24 milhões em leite, mas importou US$ 200 milhões, principalmente da Argentina e do Uruguai. A participação das importações no mercado interno, que girava entre 2% e 4%, já encosta em 10%.

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