Economia & Mercado

Às vesperas de feriado nacional, Brasil perde única mina de terras raras do país para EUA após venda bilionária

Divulgação / Serra Verde Group
A USA Rare Earth investe US$ 2,8 bilhões para adquirir 100% do Serra Verde Group, a única mina de terras raras do Brasil  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Serra Verde Group
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 21/04/2026, às 08h15 - Atualizado às 08h20



Cerca de US$ 2,8 bilhões (aproximadamente R$ 14 bilhões). Esse é o valor que a empresa americana USA Rare Earth (USAR) deve desembolsar para adquirir 100% do Serra Verde Group, dono da única mina que produz e processa terras raras no Brasil.

O anúncio da assinatura do acordo foi feito na segunda-feira (20), às vésperas do feriado de Tiradentes, comemorado nesta terça-feira (21). A mina está localizada no município de Minaçu, em Goiás, e é a única mineradora fora da Ásia a extrair em escala comercial os quatro elementos mais cobiçados dos 17 que são chamados de terras raras, segundo o Ministério de Minas e Energia.

As terras raras são um grupo de elementos que, junto com minerais como lítio, nióbio e cobalto, compõem a categoria dos chamados minerais estratégicos: insumos essenciais para veículos elétricos, armamentos e chips, entre outros produtos. 

A transação bilionária será paga com US$ 300 milhões em dinheiro e uma outra parte em ações: a USAR fará a emissão de 126,8 milhões de novas ações ordinárias, com base no preço de fechamento de US$ 19,95 em 17 de abril. 

O contrato prevê o fornecimento de 15 anos para abastecer uma Empresa de Propósito Específico (SPV), capitalizada por diversas agências do Governo dos EUA, bem como por fontes de capital privado, para 100% de sua produção da Fase I com preços mínimos garantidos para as terras raras magnéticas.

Com o acordo, a única mina de argilas iônicas ativa do Brasil, em produção desde 2024, ficará sob controle de uma empresa estadunidense. Prevista para ser concluída no terceiro trimestre, a negociação acontece em meio a uma corrida por fontes alternativas à China, que controla esse mercado.  

A China domina a produção e o processamento desses materiais e esse virtual monopólio a beneficia em disputas geopolíticas. Depois de abandonar essa cadeia, os americanos viram o futuro de algumas indústrias estratégicas vulneráveis às políticas restritivas chinesas.  

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