Educação

Professores protestam contra programa de alfabetização da prefeitura

Imagem Professores protestam contra programa de alfabetização da prefeitura
APLB disse "não" ao Alfa & Beto e sugeriu projetos locais para melhorar educação em Salvador  |   Bnews - Divulgação

Publicado em 08/03/2013, às 08h22   Lucas Esteves (Twitter: @lucasesteves)




Enquanto ACM Neto (DEM) apresentava o novo Programa Alfabetiza Salvador no Palácio Thomé de Souza acompanhando de dezenas de professores, outros docentes se acotovelavam do lado de fora do local para dizer não à mudança nos rumos da educação do município. Com faixas, megafones e palavras de ordem, os professores rejeitavam a instituição do sistema Alfa & Beto na educação básica da capital baiana.

De acordo com a professora Marilene Betros, dirigente da APLB, ACM Neto afirma que conversou com o sindicato e acertou a aceitação do novo sistema, mas em nenhum momento houve concordância de que os professores unanimemente aceitaram a implantação. Além disto, ela atesta que a categoria não quer a oferta de “adesão voluntária”, mas simplesmente rejeita em absoluto a utilização do Alfa & Beto nas escolas.

“Não podemos aceitar a implantação de um sistema que tem um cunho racista, sexista, discriminatório. O conteúdo dele não tem nenhuma sentença formada por pessoas que tenham uma consciência crítica. Aos alunos não se identificam com o conteúdo e o sistema limita e engessa os professores”, alega Marilene. A professora disse que, além disto, a prefeitura poderia perfeitamente ter procurado dentro das próprias escolas outras iniciativas de sucesso que, como deseja a gestão, provoca o aumento dos índices do Ideb. 


Marilene Betros citou o exemplo da Escola Municipal Francisca de Sande, no subúrbio de Coutos, que desenvolve um trabalho de identidade relacionado às ideologias e costumes do povo de Salvador, inserindo as crianças no contexto da cidade e personalizando a educação. Os ensinamentos do Alfa & Beto, segundo a líder sindical, são datados e não servirão à realidade de Salvador. “É um pacote totalmente deslegitimado”, sentenciou.

O vereador Hilton Coelho (PSOL) esteve na manifestação e sustentou as opiniões dos professores. O pessolista afirma que compareceu às reuniões da prefeitura com os docentes para apresentar a proposta do Alfa & Beto e garante que viu pessoalmente a rejeição que o programa teve à categoria. Os dois encontros tiveram quórum de mais de três mil mestres e, no ultimo de todos, houve tamanha rejeição que o próprio criador do sistema, que estava em Salvador para acompanhar a proposta, renunciou à sua fala ao perceber que não havia jeito de convencer os professores.

“João Batista, criador do Alfa & Beto, estava na segunda reunião e naquele dia houve uma votação para ver quem queria que o sistema fosse implementado. Ele já tinha feito uma fala antes e, depois que viu que os professores rejeitaram totalmente a proposta, renunciou à segunda fala. Houve um sentimento total de repudio ao Alfa & Beto”, relatou Hilton. O parlamentar disse que, dentro da Câmara, há sentimento similar entre os colegas, com as lideranças manifestando solidariedade aos professores e rejeitando o novo projeto educacional.


Nota originalmente postada às 17h do dia 7

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