Eleições

Para Jaques Wagner, PT pode indicar vice de Ciro Gomes

Folhapress
Ex-governador baiano entende que 'estava na hora' de o partido abrir mão da cabeça de chapa e apoiar aliado  |   Bnews - Divulgação Folhapress

Publicado em 01/05/2018, às 21h04   Folhapress



O ex-governador Jaques Wagner admitiu, nesta terça-feira (1º), a hipótese de o PT não ser cabeça de chapa nas eleições presidenciais e ocupar a vice caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de concorrer ao Palácio do Planalto. 

Questionado, Wagner se disse à vontade para discutir a hipótese de se aliar ao pedetista Ciro Gomes, por ter sido entusiasta de uma aliança quando Eduardo Campos estava vivo.

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“Sou suspeito nesta matéria porque sempre defendi que, após 16 anos, estava na hora de ceder a precedência. Sempre achei isso. Não conheço na democracia ninguém que fique 30 anos. Em geral fica 12, 16, 20. Defendi isso quando o Eduardo Campos ainda era vivo. Estou à vontade neste território”, afirmou. ​

Além da possibilidade de apoio a Ciro, Wagner defendeu também abertura de diálogo com o ex-ministro Joaquim Barbosa, potencial candidato do PSB.

O ex-governador da Bahia recomendou, porém, calma antes de qualquer decisão. E ressaltou: “O problema é que a prisão do Lula nos coloca numa posição de resistência. Não posso dizer hoje que estou abrindo para qualquer um. É dizer o quê? Lula, tchau e bênção? Então a situação é complicada”, justificou.

Embora considere Barbosa um outsider, Wagner defendeu um diálogo com o ex-ministro do STF. “Acho que o PT tem que buscar o diálogo com os partidos que sempre defenderam um Brasil democrático, popular, progressista e com distribuição de renda."

Ele inclui na lista a pré-candidata do PC do B, Manuela D’Ávila (RS).

“O Ciro eu sei mais ou menos o pensamento dele, a Manuela eu sei mais ou menos o pensamento dela, o Joaquim está começando a apresentar o seu pensamento. Óbvio que de todos que eu falei o Joaquim é o mais outsider. Nunca foi uma pessoa dedicada propriamente à política”, afirmou. 

As declarações foram dadas minutos antes de Wagner subir o palanque do ato organizado por sete centrais sindicais pela libertação de Lula. 

O ex-ministro insistiu que o PT vai sustentar a candidatura de Lula até que ele esteja interditado definitivamente.

Ele repetiu ainda que essa não era uma exclusividade petista. “Quem é que tem algum candidato a presidente da República? Ninguém. É uma situação inédita no Brasil. Não tem o porquê desta agonia."

O ex-ministro defendeu o canal de negociação aberto pelo ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). “O Haddad teve uma conversa sobre a economia brasileira e acharam que era sobre política eleitoral no estrito senso”. 

Sobre a possibilidade de ele próprio concorrer, Wagner afirmou: “Não coloco meu nome em hipótese alguma à disposição neste momento. E não adianta perguntarem 'e no próximo momento?'. Não estou trabalhando com o próximo momento."

VAIAS
No mesmo ato, os pré-candidatos Manuela D’Ávila (PC do B) e Guilherme Boulos (PSOL) divergiram sobre a possibilidade de abertura de canal de comunicação com o ex-ministro Joaquim Barbosa.

Para Boulos, não existe um diálogo estabelecido com o ex-ministro do STF. “Joaquim Barbosa ainda é uma incógnita. Mas todas as declarações dele vão de uma maneira preocupante no sentido de respaldar o liberalismo econômico que está muito longe das propostas defendidas pela esquerda do ponto de vista de que o programa econômico tem que servir para as maiorias sociais e não ao 1% do mercado financeiro”, declarou.

Já Manuela afirma que não se está em busca de uniformidade, mas de unidade em torno do principal para o Brasil. Segundo ela, Barbosa fez manifestações importantes.

“Se a pessoa é contra a reforma trabalhista, se entende que a prisão de Lula é arbitrária e que é possível desenvolver o Brasil estimulando o trabalho, a gente tem que estimular as pontes. Não implodi-las.”

O ato em Curitiba teve estimativa de público, segundo a Polícia Militar, de 5 mil pessoas. Segundo os organizadores, foram 25 mil. Já a CUT diz que foram 40 mil.

Um dos organizadores do ato, o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, foi vaiado ao citar o nome da central, o que exigiu que o presidente da CUT, Vagner Freitas, e a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, fossem à beira do palco para puxar aplauso para ele. Ao discursar, Freitas ressaltou ser essa a primeira vez em que sete centrais se unem para celebrar o Dia do Trabalhador Juruna reagiu indignado. “Grupelhos esquerdistas [da CUT] são capazes de estragar uma unidade”, protestou.

Outro vaiado foi o ex-ministro Aldo Rebelo (SD). Ex-PC do B e PSB, foi chamado de traidor e golpista enquanto tentava discursar.

O ex-ministro encerrou seu discurso com uma queixa. Aldo afirmou que, para ele, este Primeiro de Maio poderia representar a retomada da unidade do movimento sindical que testemunhou em 2006 em favor da reeleição de Lula.

Mas ressaltou: “Se não somos capazes de manter a tolerância em um ato como este, não temos autoridade para pedir unidade em defesa da democracia”.

Ele comparou a atitude de militantes de esquerda com o de seus opositores. “Que eles alimentem esse clima, eu compreendo. Só não compreendo quem se declara democrata não ter capacidade de tolerar”.

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