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Após 50 anos, Neguinho da Beija-Flor anuncia aposentadoria em 2025: 'Tempo é inimigo'

Reprodução/Instagram/@neguinhodabeijafloroficial
Neguinho da Beija-Flor passou a fazer parte da escola de samba em 1975  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Instagram/@neguinhodabeijafloroficial

Publicado em 20/11/2024, às 20h28   Victória Valentina



Neguinho da Beija-Flor, cantor e intérprete que está há 50 anos a frente da escola de samba de Nilópoles, anunciou sua aposentadoria após o carnaval de 2025. A informação foi confirmada por ele nesta quarta-feira (20), durante entrevista ao RJ1, jornal local da Globo.

"É que esse carnaval de 2025 é meu último Carnaval na Marquês de Sapucaí, e com a Beija-Flor. Em 2025, eu encerro a minha carreira na avenida. É difícil [falar isso]. A gente morre duas vezes, quando morre mesmo e quando para de atuar. Estou parando depois de 50 anos de Beija-Flor", declarou.

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O intérprete, de 75 anos, comandava a escola desde 1975 e foi a voz de todos os 14 campeonatos conquistados pela azul e branca da Baixada. "O tempo é inimigo da perfeição. O tempo é maravilhoso. Eu já cheguei a 75 anos, são 50 anos de convivência na escola que é minha família, esse momento é difícil", disse.

Apesar de deixar a avenida, o sambista disse que não sairá dos palcos e continuará sua carreira como cantor.

Carreira

Luiz Antônio Feliciano Marcondes, nome de batismo do cantor, nasceu em Nova Iguaçu (RJ) e estreou como puxador de samba no bloco Leão de Iguaçu, em 1970. Cinco anos depois, passou a fazer parte da Beija-Flor de Nilópoles.

Lá escola de samba, Neguinho criou o bordão "Olha a Beija-Flor aí, gente!", considerado o grito mais icônico do carnaval.

Enquanto cantor, ele tem 27 discos lançados. Já foi enredo de quatro escolas de samba: da Unidos de Manguinhos em 1991; da Independentes de Cordovil no ano de 1992 e da Leão de Nova Iguaçu e da Juventude Imperial em 2010.

Leia abaixo a íntegra da carta de Neguinho da Beija-Flor

O desfile de 2025 será marcado por uma emoção ainda mais especial. Além de homenagearmos o inesquecível mestre Laíla, será também o momento de nos despedirmos profissionalmente de nossa maior e inigualável voz no microfone oficial: Luiz Antônio Feliciano Marcondes, o nosso Neguinho.

Em 11 de junho de 1975, o então conhecido "Neguinho da Vala" chegou a Nilópolis, a convite do nosso presidente de honra, Anísio Abraão David, que também foi responsável por sugerir o nome artístico que se eternizou: "Neguinho da Beija-Flor". Desde então, sua voz ecoou em cada verso que cantamos, em cada vitória que celebramos e em cada nota 10 que nos fez vibrar. Agora, após cinco décadas de dedicação à Beija-Flor, ele decidiu encerrar sua jornada profissional no mesmo ano em que prestamos homenagem ao legado de seu grande amigo Laíla.

Essa despedida, no entanto, é apenas do posto de intérprete oficial. Neguinho é, e sempre será, a essência da Beija-Flor. Não há Beija-Flor sem ele. Sua história está gravada em nossas cores, nossos sambas e nossos corações.

O próximo Carnaval da Beija-Flor, portanto, terá um sabor ainda mais especial: será a celebração de uma vida inteira dedicada ao samba. Seremos, mais uma vez, testemunhas de sua grandeza, celebrando juntos uma trajetória que soma mais de 50 anos, 14 títulos, 6 Estandartes de Ouro e um grito de guerra que ecoará para sempre no Carnaval brasileiro.

Agradecemos por cada momento, cada nota e cada emoção que Neguinho nos proporcionou. Se somos essa “comunidade que impõe respeito e bate no peito”, é porque ele sempre esteve ao nosso lado, construindo essa história. 

Alô, Neguinho, olha nossa Beija-Flor aí, gente!

Classificação Indicativa: Livre

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