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Apresentador revela diagnóstico de autismo e destaca evolução dos filhos após deixar a Globo

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Após deixar a Globo, Manoel Soares encontrou propósito e aprendizado em sua nova jornada como pai e ativista.  |   Bnews - Divulgação Reprodução TV Globo
Juliana Barbosa

por Juliana Barbosa

juliana.barbosa@bnews.com.br

Publicado em 03/09/2025, às 08h22



Dois anos após a saída conturbada da TV Globo, Manoel Soares afirma que conseguiu transformar o momento difícil em aprendizado e propósito. O apresentador, que hoje lidera o Circuito Paternidade Atípica em parceria com a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo, contou que o afastamento da televisão lhe permitiu estar mais presente na vida dos filhos, duas crianças autistas de seis e sete anos. As informações são do portal Uol. 

“O resultado da minha saída da TV Globo é que hoje nós conseguimos falar com mais de 700 mil homens sobre a realidade do autismo e fazer desses homens pessoas que contribuem para o desenvolvimento dos seus filhos. Esse é o resultado mais bonito que nós poderíamos alcançar. [...] Eu consegui fazer do limão na limonada e hoje estou conseguindo ajudar muitas famílias através do que a gente tem feito.” 

Segundo Manoel, a convivência intensa em casa nos últimos anos foi fundamental para o avanço no desenvolvimento das crianças. 

“Há três anos, meus filhos tinham seletividade alimentar e distúrbio do sono, não eram verbalizados, simplesmente não falavam. Hoje, tenho em casa crianças que falam, que se alimentam. Hoje vivi pela segunda vez a emoção de ver meu filho de sete anos vestir a roupa sozinho. Para mim, isso é muito emocionante.” 

Ele acrescenta que acompanhar essa evolução de perto lhe trouxe esperança: 

“Ver meus filhos alcançarem a autonomia, por mínima que seja, é uma ponta de esperança. Estar perto deles nesses últimos três anos, me conectando, contribuindo para o desenvolvimento, fez uma diferença muito grande. Então, eu confio muito na dinâmica divina e acho que as coisas vão acontecer no seu tempo certo.” 

Diagnóstico de autismo 

No processo de investigação familiar, Manoel também descobriu que está no espectro. 

“Como eu tenho dois filhos autistas, foi solicitado que fizéssemos uma investigação. [...] Nesse processo, constatou-se que eu estou no espectro, no grau de suporte 1, um grau de suporte que não pode ser banalizado.” 

Além disso, o apresentador recebeu diagnósticos de TDAH e superdotação. 

“Eu não consigo ir ao estádio de futebol porque aquele excesso de informação sonora me faz muito mal, tira a minha concentração. Eu não consigo dirigir carro com a janela aberta porque isso também me causa uma crise sensorial muito séria. [...] [após o diagnóstico], a versão de mim de hoje está disponível para a minha família e para o meu trabalho é uma versão muito melhor.” 

Projeto de impacto 

O Circuito Paternidade Atípica, criado por Manoel, já alcançou mais de 730 mil pessoas em atividades presenciais e transmissões online realizadas nos CEUs de São Paulo. O objetivo é aproximar pais do cotidiano de crianças autistas e promover conscientização sobre paternidade atípica. 

“Muitos homens que não tinham conseguido dar um beijo no filho neurodivergente fizeram isso na nossa palestra pela primeira vez, pediram desculpa para a criança pela primeira vez. [...] Reunimos quatrocentos homens e eles serão multiplicadores dessas informações.” 

Futuro e volta à TV 

Apesar de não descartar o retorno à televisão, Manoel diz que prioriza projetos que dialoguem com seu público e tenham propósito. 

“Gosto de comunicação com propósito, e tenho uma voz muito ecoante com mulheres de 35 a 54 anos, da classe C, um público que me respeita e tem muito carinho por mim. Estou receptivo a ouvir projetos para esse público.” 

Ele reforça que a dedicação à família segue como prioridade. 

“Não quero só voltar para a tela, mas quero voltar trazendo algo que possa ajudar essas pessoas. Tenho ouvido muitos projetos, propostas. [...] O mais importante agora é também ter tempo para dedicar à minha família. Tenho dois filhos que precisam de atenção e ajuda.” 

Enquanto isso, o apresentador seguirá focado no circuito, que já tem novas edições previstas em São Paulo e negociações para outros estados. Viagens para África e Europa também estão confirmadas, onde Manoel falará sobre neurodivergência. 

“As pessoas me abordam na rua para contar suas histórias sobre neurodivergência, dizer como as minhas postagens e a minha relação com os meus filhos têm mudado a vida delas. [...] Minha convicção é que essas pessoas não me consideram um artista, elas me consideram alguém da família. E, isso, para mim, é o maior prêmio que um profissional de comunicação pode ter.” 

Classificação Indicativa: Livre

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