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Atriz que deu vida a “Escrava Isaura” morre no Rio

Divulgação/Atlântida Cinematográfica
A atriz havia recebido alta hospitalar após uma semana internada devido à Covid-19.  |   Bnews - Divulgação Divulgação/Atlântida Cinematográfica
Juliana Barbosa

por Juliana Barbosa

juliana.barbosa@bnews.com.br

Publicado em 17/12/2024, às 08h13



Fada Santoro, uma das maiores estrelas da era de ouro do cinema brasileiro, morreu neste domingo (16), aos 100 anos, em sua casa no bairro do Leme, no Rio de Janeiro. A atriz havia recebido alta hospitalar após uma semana internada devido à Covid-19. As informações são do portal Terra.

A trajetória de Santoro é marcada por grandes feitos no cinema, no teatro e na televisão brasileira. Ela iniciou sua carreira artística nos anos 1930, como bailarina em cassinos do Rio de Janeiro e Niterói. Em 1937, deu os primeiros passos no cinema com figurações em filmes da Cinédia, a primeira grande produtora cinematográfica do país.

Uma estrela das chanchadas

Mafalda Santoro, conhecida pelo nome artístico e Fada Santoro, nasceu em 1924 no Rio de Janeiro. O sucesso veio nos anos 1940, quando Santoro se destacou como uma das principais atrizes das chanchadas, gênero de comédia musical que marcou o cinema brasileiro da época. Em 1949, ela fez história ao ser a primeira intérprete de Isaura na versão cinematográfica de A Escrava Isaura.

Na década seguinte, consolidou sua carreira com produções icônicas da Atlântida Cinematográfica, como Barnabé, Tu És Meu (1952) e Nem Sansão Nem Dalila (1954), atuando ao lado de nomes como Grande Otelo e Oscarito. Além das comédias, foi um rosto recorrente em dramas românticos, formando pares memoráveis com atores como Cyll Farney.

Fada Santoro também deixou sua marca no teatro musical e infantil, trabalhando em companhias renomadas, como a de Dulcina de Moraes. Na televisão, foi uma das pioneiras, participando de programas exibidos ao vivo nos anos 1950, antes mesmo da chegada do videoteipe.

Durante essa década, ela ganhou projeção internacional ao protagonizar filmes na Argentina, ampliando seu reconhecimento no exterior.

Afastamento dos holofotes

No início dos anos 1960, Santoro deixou a vida artística após se casar com o polonês Michael Krymchantowski, com quem teve três filhos. Seu último trabalho na televisão foi na novela A Rainha Louca (1967), da TV Globo, e no cinema, sua despedida ocorreu com depoimentos para o documentário Assim Era a Atlântida (1975), que resgatou a história do estúdio de chanchadas.

Desde então, ela viveu longe dos holofotes, dedicando-se à família e se tornando uma figura quase mítica no imaginário cultural brasileiro.

Um último encontro com o público

No ano passado, Fada Santoro fez uma rara aparição pública ao celebrar seu aniversário de 99 anos na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Na ocasião, foi exibido o filme A Escrava Isaura, em uma homenagem à sua trajetória. O evento contou com a presença de Lucélia Santos, intérprete da mesma personagem na novela homônima de 1976.

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