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Axé 40 anos: Tatau se mostra saudosista aos tempos áureos do gênero e alfineta nova geração: "chega com tudo pronto"

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Tatau participou do projeto Axé 40 anos, do BNews, em celebração às quatro décadas do gênero musical criado na Bahia  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Redes Sociais
Andreza Oliveira e Tiago Di Araujo

por Andreza Oliveira e Tiago Di Araujo

Publicado em 01/11/2024, às 09h04



Compositor de grandes sucessos da música baiana e com trajetória musical destacada no Axé Music, principalmente nos anos em que esteve à frente da banda Ara Ketu, o cantor Tatau se tornou uma das referências do gênero, que completa 40 anos de existência. Em entrevista ao BNews, pelo projeto 'Axé 40 anos', o artista elencou as contribuições pelas gerações passadas do ritmo para crescimento do Carnaval, da Bahia e da cultura por um todo.

"O Axé ele tem um envolvimento total com a estrutura da cidade, o pensamento da cidade, com a linguagem da época. Então, acho que foi uma geração muito feliz, nesse aspecto de se importar em saber passar as informações do jeito mais positivo. A minha geração ela fez um pouco a turma pensar. Ela falou de Faraó, falou de Madagascar, ela falou da Ilha do Amor, contou a história de Cubatão, a gente procurou de várias formas municiar a população de interesse pela cultura e eu sou uma parte disso, dei minha contribuição. Tudo que sou hoje, tudo que eu tenho, até o carinho das pessoas comigo tem tudo a ver com meu histórico", frisa.

Tatau destaca que a diferença da sua época para os tempos atuais é a questão de comprometimento com o gênero e entendimento da valorização para crescimento de todo movimento sem se importar apenas com o "business" gerado.

"Primeiro que eu acho que tem que existir um comprometimento cultural. Acho que quando você se compromete de forma cultural, isso deixa de ser só um negócio. Minha geração tinha esses dois fatores muito enraizado na gente. Era negócio? Era. A gente usufruía dessa parte sim, mas a gente se importava com o que chegava aos lares, com o que tocava nas rádios, com o que o filho ouvia. Eu me sentia um cara responsável para trazer o turista para cá. Quando eu ia para outros lugares cantar o Axé, ele tinha essa relação".

Para ele, a nova geração do ritmo demonstra não ter interesse em contribuir para o fortalecimento do gênero pelo fato de já encontrar uma "história contada" por artistas que se destacaram no passado. "Não era só a questão estrutural da cidade, que está tudo lindo, a cidade se preparou, mas a música também preparou a cidade, ela ajudou a cidade em alguma coisa. Minha geração é maravilhosa, de grandes artistas, que tinha essa visão, de fazer bem nas micaretas para que o nosso carnaval fosse forte. Eu sei que no geral, que é outra geração, que já chega com tudo já arrumado, sem essa necessidade de fazer, mas eu queria que sentisse um pouco do que é contribuir dessa forma".

"Gostaria que a turma que está chegando abraçasse a mesma proposta, como abraçamos lá atrás. Que é continuar com esse legado cultural, e se importar pela história da Bahia, pelas tradições da Bahia, pelos costumes”, disse ao destacar a música 'Raiz de Todo Bem', de Saulo. "A última grande obra nesse sentido.

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