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A força da cultura afro-brasileira pulsa no toque do atabaque, no balanço do corpo e na palavra que canta o sagrado. É dessa energia ancestral que nasce “Gira Mundo”, novo álbum de Majur, uma obra que sintetiza a espiritualidade do candomblé, a vitalidade da música baiana e o poder do tempo como elemento transformador.
Em entrevista ao BNews Novembro Negro, a artista revela que vê na maturidade e na fé o ponto de partida de sua nova fase. O tempo, representado por Iroko no candomblé, é a linha que conduz a narrativa do disco, um fio que liga orixás, natureza e criação.
“Hoje, com quase oito anos de axé, eu tenho mais clareza sobre minha missão. Sei como minha música toca as pessoas e sei também que preciso usar isso para recontar a nossa história”, afirma
Majur explica que o álbum nasceu de um mergulho profundo em sua vivência religiosa:
“Dentro do Ilê, a gente aprende sobre as características de cada orixá, depois qual elemento da natureza ele representa, os signos e os sons associados. Esse conhecimento foi a principal coisa que busquei para poder trazer os elementos e representar cada orixá em cada canção”, conta.
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Raiz baiana, identidade negra
Natural de Salvador, a artista reconhece na capital baiana o berço daquilo que é mais essencial em sua arte. “Salvador respira afrocentrismo. É o berço da cultura africana no país. O ambiente em que eu cresci moldou bastante a minha música e o meu ser, por isso produzi ‘Gira Mundo’ na minha cidade natal. Não poderia ser diferente, minhas raízes estão aqui”, diz.
A cidade, com seus batuques, terreiros e expressões populares, não é apenas um cenário, é parte do som, do ritmo e da própria narrativa de Majur, que ela incorpora na sua arte desde “Africaniei”, primeiro single da artista.
O corpo como herança
A influência da cultura afro-brasileira se revela também no corpo, território de expressão, dança e resistência. Para Majur, sua performance é extensão dessa herança ancestral:
“Ela se manifesta em tudo o que faço — na minha performance, na minha discografia, na banda e no balé que me acompanha. Meu trabalho é um movimento de arte e cultura negra, que busca recontar e atualizar nossa história por meio de uma nova narrativa, unindo elementos futuristas e contemporâneos às nossas tradições”, afirma.
A cantora defende que cada gesto, cada movimento e cada compasso são uma forma de diálogo com o passado, ressignificando tradições sem deixar de dialogar com o presente.
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Legado e continuidade
O movimento de renovação da arte negra no Brasil se reflete na forma como artistas contemporâneos reinterpretam tradições afro-brasileiras com estética moderna e linguagem pop.
“Vejo esse movimento como uma continuação natural do que sempre fomos, mas agora com novas formas de expressar nossa identidade. Fico feliz quando meus fãs me chamam de herdeira do axé, porque isso me conecta com o legado de grandes nomes da música brasileira e me inspira a exaltar e reinventar essa tradição de forma viva e potente”, pontua Majur.
Liberdade e redescoberta
Na visão da artista, “Gira Mundo” é também um espelho para a juventude negra se ver e se reconhecer. “Costumo dizer que ‘Gira Mundo’ é uma maneira de redescobrir a própria história. Esse álbum fala de liberdade, de poder se expressar num país miscigenado, onde a cultura africana chegou sendo muito demonizada. Trazer essa cultura de volta, na sua essência, é uma forma de resgate”, reflete.
O disco, que traz faixas com nome dos orixás, dá simbologia e performance em ritual ao som de uma artista em ascensão, que pulsa baianidade e orgulho de ser. Em cada compasso, Majur mostra que a cultura afro-brasileira é vida que gira e que continua girando, sempre entre passado e futuro, terra e céu.
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