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Poucos dias antes de ser presa durante a Operação Vérnix, a influenciadora e advogada Deolane Bezerra tentou retirar do ar uma reportagem do SBT que citava uma suposta ligação dela com o PCC. As informações foram divulgadas pela coluna Outro Canal, do jornal Folha de S. Paulo.
Segundo a publicação, a Justiça de São Paulo rejeitou o pedido feito por Deolane e arquivou o processo após entender que a remoção da matéria configuraria censura à atividade jornalística.

Justiça negou retirada de reportagem
De acordo com a Folha de S. Paulo, a defesa da influenciadora alegava que a reportagem exibida pelo SBT, originalmente publicada em setembro de 2022, estaria causando prejuízos à imagem dela.
Ainda conforme a coluna Outro Canal, Deolane afirmou que a empresa dela teria sido notificada pelo banco BTG Pactual durante uma análise para investimentos, após a instituição localizar a reportagem nas plataformas digitais da emissora.
Na ação judicial, a influenciadora sustentou que o conteúdo abordava um processo arquivado e acusou o SBT de perpetuar “fake news” e condutas discriminatórias sem base jurídica. No entanto, a 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu manter a reportagem no ar.
Segundo a Folha de S. Paulo, o desembargador Enéas Costa Garcia entendeu que não havia elementos suficientes para comprovar ilegalidade no conteúdo exibido pela emissora.
Magistrado apontou interesse público
Na decisão citada pela coluna Outro Canal, o magistrado afirmou que a reportagem tinha caráter jornalístico e se baseava em investigações conduzidas pela Polícia Civil e em relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
“Não se identifica caráter difamatório ou conteúdo ofensivo na matéria, que possui natureza jornalística e aborda fato de conhecimento público e interesse coletivo”, destacou o desembargador, segundo a Folha de S. Paulo.
O juiz também considerou que retirar o material das plataformas digitais representaria uma forma de censura.
Prisão aconteceu dias depois
A decisão judicial ocorreu poucos dias antes da prisão de Deolane Bezerra durante a Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público.
Como já foi divulgado anteriormente, a investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital. Entre os alvos da operação estão familiares de Marcola, apontado como líder máximo da facção.

Segundo as investigações, Deolane teria movimentado valores considerados suspeitos e, de acordo com a apuração policial, sua estrutura financeira e influência pública teriam sido utilizadas para inserir dinheiro ilícito no sistema financeiro formal.
A defesa da influenciadora nega qualquer envolvimento com organizações criminosas e sustenta a inocência dela no caso.
Procurados pela Folha de S. Paulo, tanto a defesa de Deolane quanto o SBT não comentaram oficialmente o assunto, segundo informou a coluna Outro Canal.
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