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Cantor baiano detalha ao BNews episódio de racismo em academia e expõe medidas tomadas: “Não posso permitir isso”

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Artista relata episódio de racismo e critica a impunidade diante de casos semelhantes  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes Sociais
Edgar Luz

por Edgar Luz

edgar.luz@bnews.com.br

Publicado em 06/10/2025, às 13h29 - Atualizado às 14h29



O cantor baiano Samuel Marques, conhecido por atuar como backing vocal de artistas como Saulo Fernandes e Luiz Caldas e por sua participação no ‘The Voice Brasil 2019’, conversou com o BNews após denunciar ter sido vítima de racismo dentro de uma academia Smart Fit, no bairro da Graça, em Salvador. O episódio, ocorrido no último domingo (5), gerou grande repercussão nas redes sociais.

“Ele levantou e veio falar comigo: ‘Você se parece com um personagem”. Aí eu falei: ‘Não entendi’. Ele: ‘É, você se parece com um personagem, o urso do cabelo duro’”, iniciou.

O músico afirmou que, embora não tenha sido o primeiro episódio de racismo sofrido na vida, ficou chocado com a comparação e resolveu filmar:

“Como eu já vivi isso e nunca fui criminalizado antes, eu pensei rápido e falei: ‘pô, preciso de uma forma para certificar o que eu estou falando, né? Então, eu já peguei o celular e pedi pra ele repetir. Aí, ele repete claramente, precisamente, como está no vídeo, o ‘urso do cabelo duro’. Eu falei: ‘como assim, meu cabelo? Por quê? Porque meu cabelo é duro?’”, relatou.

Como mostra no vídeo postado em suas redes sociais, Samuel disse que o homem tentou se justificar. “Quando ele percebe que eu estou começando a gravar, ele começa a mudar. Tem um momento que ele fala até: ‘era uma brincadeira, desculpa’. Eu falei: ‘não, que brincadeira?! eu não sou seu parente, eu não sou seu amigo’. Ele dá argumento que ele tem o genro preto, que ele não é racista”, disparou.

“No momento em que ele, inclusive, percebe, ele pega e fala: ‘acabou, já pedi desculpas, né, acabou’. Aí, eu falo: ‘acabou pra quem? Acabou pra você, né? Eu vivi isso na pele. É muito fácil você chegar, vomitar todas as suas asneiras (sic), como você fez comigo, e depois dizer, acabou”, acrescentou.

Não foi a primeira vez

O cantor baiano revelou que já tinha percebido olhares do homem em outros momentos, mas não imaginava que culminaria nessa situação:

“Esse rapaz, ele já me perseguia em na academia, porque sempre que eu passava, ele me olhava. [...] Teve uma vez que, inclusive, tava malhando eu, meu companheiro e uma amiga, e esse senhor ficou com esse olhar estranho”, relembrou.

Atitude da academia

Questionado pela reportagem sobre a postura adotada pela academia no momento, Marques declarou que foi assistido por um funcionário, que relatou não ser o primeiro episódio envolvendo o outro homem.

“Procurei a recepção. O rapaz que me atendeu, inclusive, falou comigo: ‘Lamento pelo que aconteceu com você. Inclusive, casos como esse já aconteceram com esse mesmo senhor. Só que as pessoas não filmaram, como você”, disse.

Após a repercussão, a academia Smart Fit publicou uma nota afirmando que “nenhum tipo de preconceito é tolerado” nas unidades da rede e pediu que Samuel informasse os detalhes do caso por mensagem direta para “ajudar no que for preciso”.

Prestação de queixa e negligência policial

O artista, que já registrou boletim de ocorrência, detalhou sua primeira ida à delegacia, onde não teve o atendimento que esperava. 

“Ontem quando eu tentei prestar queixa, também houve uma omissão da parte da delegacia, da 14ª. Falaram pra mim que ele não poderiam registrar o meu boletim, porque eu teria que ter os dados da pessoa. Então olha como problemático é isso. Eu até tenho um vídeo, quando eu saio de lá, falando que tentei registrar [a queixa] e que eu não consegui”, afirmou.

O atendimento só aconteceu nesta segunda-feira (6), após um policial intervir. “Então eu também tive apoio de um policial que me viu indignado e falou: ‘olha, isso não existe, tem que ser registrado, está muito errado’. Ele falou pra mim que tinha falado com um amigo dele, que era dessa delegacia, e que amanhã, no caso hoje, eu deveria me dirigir para poder registrar”, pontuou.

“Não posso deixar de evidenciar a negligência policial nessa situação. Além de você passar por uma situação como essa, você ainda tem que lidar com isso. Quando você quer legitimar o que aconteceu, você passa por um outro episódio de racismo. Isso tudo é muito problemático, porque infelizmente eu ainda estarei nesse sistema e terei que lidar com essas questões”, acrescentou.

“É importante falar sobre isso”

Samuel disse que pretende usar sua visibilidade para endossar cada vez mais o discurso antirracista. “Eu enquanto um artista preto, cantor de axé music, LGBTQIAPN+ e professor dentro desse espaço, é de uma importância imensa que eu discorra sobre esse assunto. Que eu traga isso pra mim nas minhas redes sociais, que é um lugar onde eu possa ter um contato com as pessoas que me admiram, ou que até não me admiram, porque eu sei que tem uma relevância”, refletiu.

O cantor ainda destacou sua coragem em expor a situação e defendeu a importância de denunciar casos como esses. “Eu classifico como ato de bravura da minha parte, de entender que eu posso ser essa pessoa que tem que se posicionar e que eu devo ser essa pessoa, inclusive. [...] Foi uma chavezinha que foi girada, que eu olhei pra mim e falei: ‘olha, chega, eu não posso mais me permitir viver com isso. Racismo é crime’. As pessoas que agem dessa forma tem que ser responsabilizadas por isso”, concluiu.

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