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Publicado em 21/12/2024, às 21h12 Victória Valentina
A cantora Roberta Miranda lançou sua autobiografia na última sexta-feira (20) e fez revelações importantes sobre sua vida. Em um dos trechos do livro chamado 'Um Lugar Todinho Meu', ela abriu o coração e contou que escondeu a própria sexualidade após fazer uma promessa para a mãe, há mais de 40 anos.
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A artista, que se identifica como pansexual — orientação sexual em que uma pessoa se sente atraída por pessoas de qualquer identidade de gênero, sem distinção — disse ter sido rejeitada pela mãe. Por conta disso, quando a mulher já estava no meio da morte, prometeu que manteria sua sexualidade em segredo.
"Ficou marcada com muita força em mim. Naquela época, tudo era muito escondido, carreiras eram destruídas por conta de escândalos sexuais. Sim, porque ser gay era um escândalo, e, se hoje ainda somos o país que mais mata pessoas LGBTQIA+, há 40 anos ainda era bem mais perigoso", revelou.
Miranda revelou ainda que, por conta da promessa, precisou trabalhar muito internamente para entender que abrir sua vida pessoal não seria uma traição contra a mãe. "Sofri muito e precisei de anos e anos de análise e apoio de pessoas próximas para entender que podia, sim, falar disso sem trair a promessa feita a minha mãe", disse.
"Tenho certeza de que minha mãe, lá de cima, está abençoando minha decisão de dividir antigos segredos com os fãs, que tanto me apoiam, e merecem me conhecer por inteiro", completou.
Primeiro amor
Em outro trecho da autobiografia, Roberta Miranda relembrou sua primeira paixão por uma mulher. Segundo ela, seu coração bateu mais forte por Vanda, com quem teve um amor platônico.
Quando ainda era adolescente, a sertaneja namorava um homem, que conhecia sua família, e não podia frequentar a casa de Vanda. Além da confusão com a própria sexualidade, a artista percebeu que seu pai também estava interessado na jovem.
"Na mesma cama que eu, inclusive, mas sem sexo, só um carinho bem puro. Mesmo assim, me vi apaixonada por ela, mesmo sem saber como lidar com isso. E, como desgraça pouca é bobagem, percebi que meu pai também estava de olho nela. Essa era a época em que ele me batia, eu fugia, ele se arrependia e eu voltava", revelou.
"Logo eu estava na rua, e tempos depois a ida para Campo Grande funcionou na minha cabeça como um distanciamento para que ele ficasse à vontade para se relacionar com ela. Esse era o tanto que eu o amava, mas também mostra a falta de noção que eu, sendo vítima como tantas outras de familiares abusivos, tinha do absurdo que era um adulto ter interesse em uma menina, da idade da filha dele. Anos depois, perguntei a Vanda se ela tinha tido algo com meu pai e ela negou", contou a artista.
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