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Cerveja e churrasco: Filho de Arlindo Cruz explica decisões polêmicas sobre velório do pai

Reprodução TV Globo
O velório de Arlindo Cruz foi marcado por música e confraternização, conforme seu desejo de celebrar a vida.  |   Bnews - Divulgação Reprodução TV Globo
Juliana Barbosa

por Juliana Barbosa

juliana.barbosa@bnews.com.br

Publicado em 10/08/2025, às 16h02



O filho de Arlindo Cruz, Arlindinho, explicou a presença das bebidas alcoólicas no velório do pai, que ocorreu na quadra da Império Serrano, neste sábado (9). Segundo o cantor, o pai - que morreu aos 66 anos por falência múltipla dos órgãos na sexta-feira (8) - pediu para que a cerveja fosse liberada em sua despedida. As informações são da revista Quem. 

  "A despedida é do jeito que ele pediu. Ele que queria cerveja liberada para o povo, churrasco... Por mais difícil que fosse fazer isso tudo, não poderia deixar de fazer o que ele me pediu", contou. 

 A família de Arlindo anunciou previamente que a celebração seguiria a tradição do gurufim, que consiste em transformar o velório em um momento de música, bebida e confraternização para espantar a dor e garantir que a alma faça uma boa viagem. Várias chopeiras foram colocadas no local. Esse é um hábito no mundo do samba, mas sua origem vem de práticas culturais que celebram a vida mesmo sendo difícil lidar com a morte. Ao lado da mãe, Babi Cruz, e da irmã, Flora Cruz, Arlindinho tocou durante o velório.  

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  “Vamos comer, nos divertir e lembrar dele com alegria. Vamos na palma da mão para fazer essa alma encontrar a luz quanto antes. Ele merece. Ele é luz, um ser humano maravilhoso. Ele deixa um legado de luta, de trabalho e de amor ao samba”, explicou ele, que recebeu na quadra famosos como a escritora Conceição Evaristo, a apresentadora Regina Casé e a Rainha de Bateria da Império Serrano, Quitéria Chagas.  

Trajetória  

  Nascido em Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro, Arlindo Cruz teve contato com a música desde a infância, já que o pai, o músico Arlindão Cruz, promovia rodas de samba na casa em que morava com a esposa, Aracy da Cruz. Com apenas 6 anos de idade, ganhou de presente um cavaquinho do pai, seu primeiro professor. O irmão mais velho, Acyr Marques Cruz, que morreu em abril de 2019, também era músico.  

  Antes de focar na música, Arlindo estudou na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar), em Barbacena. Na década de 1970, participou da criação do bloco carnavalesco Cacique de Ramos. Lá, conheceu alguns dos músicos com quem lançou o Fundo de Quintal. Ele esteve na primeira formação do grupo.  

  Paralelamente, fez parte do time de compositores da escola de samba carioca Império Serrano. A carreira solo foi iniciada em 1993. Ele seguiu com shows regulares e gravações de álbuns até 2017, quando sofreu um AVC que o deixou com sequelas, sem andar e sem falar.  

  Compositor de mais de 500 músicas, as canções Meu nome é favela, Ainda é tempo pra ser feliz, Casal sem vergonha (em parceria com Acyr Marques) e Coisa de pele (em parceria com Jorge Aragão) estão entre seus maiores sucessos.  

  Autor de sucessos do samba e do pagode para diferentes grupos, Arlindo gostava de mandar letras e insistia para que suas composições entrassem para o repertório de novos artistas do segmento. "Ele queria ser padrinho do mundo todo", diz o biógrafo Marcos Salles. 

Classificação Indicativa: Livre

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