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Benito di Paula morreu neste domingo (18), aos 84 anos, mas sua história na música brasileira está longe de ser marcada apenas pelos grandes sucessos. Dono de uma identidade que fugia dos padrões tradicionais do samba, o cantor e pianista provocou resistência nos anos 1970, recebeu rótulos pejorativos e chegou a ser tratado como uma espécie de “traidor” do gênero. Ao mesmo tempo, conquistou multidões com músicas que atravessaram gerações.
O motivo da controvérsia estava no próprio som que o artista levou ao público. Em vez de se limitar à formação mais tradicional do samba, Benito colocou o piano em evidência e incorporou elementos românticos, influências do bolero e arranjos que aproximavam o gênero da música popular comercial. A fórmula ganhou o apelido de “samba-joia”, expressão usada por críticos e setores mais tradicionais para classificar aquela vertente.
O sucesso nas rádios e nas vendas de discos, porém, mostrou que havia espaço para aquela mistura. Canções como “Retalhos de Cetim”, lançada em 1973, e “Meu Amigo Charlie Brown” ajudaram a transformar Benito em um dos nomes mais populares da música brasileira na década.
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A diferença não estava apenas nas composições. Benito construiu uma imagem própria, com cabelos longos, barba, joias e roupas elegantes. O piano, quase sempre presente em suas apresentações, tornou-se parte inseparável de sua identidade artística.
Em um cenário no qual havia disputas sobre o que poderia ser considerado samba legítimo, a combinação de visual marcante, romantismo e apelo popular contribuiu para alimentar as críticas. O artista, entretanto, não precisou abandonar seu estilo para alcançar o grande público.

Outro episódio curioso da trajetória de Benito aconteceu antes de sua consagração nacional. No início da carreira, ele trabalhou como crooner em casas noturnas e chegou a realizar quatro apresentações em uma única noite. A rotina exigente ajudou a formar o intérprete que mais tarde se destacaria nos palcos e na televisão.
Nascido em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 28 de novembro de 1941, o músico tinha outro nome fora dos cartazes: Uday Vellozo. Foi em São Paulo, especialmente no circuito noturno, que encontrou espaço para desenvolver sua carreira e consolidar sua ligação com o samba paulista.
A televisão também fez parte de sua trajetória. No auge da popularidade, Benito apresentou o programa Brasil Som 75, na TV Tupi, ampliando sua presença para além dos discos e das casas de espetáculo.
Além de “traidor do samba”, Benito conviveu com classificações como “cafona” e “brega”, frequentemente associadas ao romantismo e à sonoridade popular de seu repertório. Em vez de se enquadrar nas definições dos críticos, o artista tratava o assunto com humor.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, em 1997, ele brincou que não era sambista, mas “sambeiro”. A frase sintetizava a relação particular que manteve com o gênero e sua recusa em se prender a categorias rígidas.
A influência de Benito também ultrapassou a própria discografia. Suas composições foram gravadas por outros intérpretes, e seu repertório continuou sendo revisitado décadas depois. Em 2021, lançou com o filho, Rodrigo Vellozo, o projeto Benito 80: Novo Samba Sempre Novo. Já em 2025, sua trajetória virou enredo da escola de samba Águia de Ouro, no Carnaval de São Paulo, com uma homenagem intitulada Em Retalhos de Cetim.
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