Entretenimento
por Andreza Oliveira
Publicado em 16/02/2025, às 12h31
Quando ainda era adolescente, o servidor público Angelo dos Santos, que atualmente tem 48 anos, descobriu um um câncer raro que o fez perder uma perna, e o tratamento acabou afetando sua bexiga. No ano de 2018, ele encontrou nas trilhas uma forma de aceitar a condição, e se tornou o ‘Saci Trilheiro’. Desde então, ele desbrava o mundo com carapuça vermelha, muleta e uma bolsa acoplada ao corpo.
Ele, que é Paranaense e vive em Brasília há quase dez anos, usa as redes sociais para compartilhar suas aventuras em trilhas, os percursos incluem a temida Pedra da Gávea, no Rio, e o Pico da Bandeira (entre Minas e Espírito Santo), um dos mais altos do Brasil.
Santos tinha apenas 17 anos quando foi diagnosticado com fibrossarcoma, um tipo de câncer. “Vi que minha perna esquerda estava um pouco inchada. Não dei muita importância no primeiro momento, mas logo senti que tinha algo diferente na altura da virilha”, contou ele.
"Fui ao médico e, depois de exames mais aprofundados, me disseram que seria necessária uma cirurgia. Achei que seria algo simples, mas, durante a operação, o médico descobriu que o tumor era mais complexo do que imaginava", disse.
“Levei uma semana para aceitar. Eu tinha febre, muita dor, e sabia que era arriscado manter a perna, pois a infecção poderia se espalhar. No dia 10 de agosto de 1994, acordei no centro cirúrgico e, dez horas depois, estava sem minha perna. Minha vida continuou daquele ponto em diante”, acrescentou.
Dois anos após a amputação, ele precisou enfrentar um novo desafio: a recidiva do mesmo câncer e dificuldades no tratamento. “Comecei a ter sintomas estranhos e descobri que o câncer havia voltado. O tumor cresceu na cicatriz da amputação”, contou.
De acordo com o Saci Trilheiro, foram 40 sessões de radioterapia. Após a oitava,e le começou a ter dificuldade para ir ao banheiro e precisou fazer o uso das bolsas de colostomia, para eliminação das fezes, e urostomia, para a urina.
"A radioterapia acabou com o tumor, mas os tecidos no entorno também foram afetados. E, nesse processo, como a bexiga estava ao lado do tumor, a radioterapia fez com que a bexiga perdesse a elasticidade que ela tem ao encher de urina. Então, de certa forma, também atrofiou e perdeu a capacidade de armazenar.", contou.
Por um momento, ele desacreditou da melhora. Achei que meu tempo de vida seria curto, mas continuei lutando. Em 2005, consegui retirar a bolsa de colostomia e hoje uso apenas a de urostomia.", desabafou.
Por volta dos anos 2000, o ‘Sítio do Picapau Amarelo’ voltou a ser exibido na TV, e as crianças passaram a chamá-lo de ‘Saci’, um dos personagens da obra de Monteiro Lobato. "Não gostava da minha aparência, não gostava de me ver sem perna, e isso afetava minha autoestima. Eu entendia as crianças, mas não aceitava.”, revelou.
De acordo com ele, a adaptação com a prótese foi difícil e precisou apostar nas muletas. “Entre a amputação e o segundo câncer, eu queria muito ter a aparência de quem tinha uma perna. Mas, após a radioterapia, a região ficou muito sensível. No meu caso, a prótese encaixava na cintura, o que fazia muita pressão e irritava a pele. Foi então que abandonei a prótese e assumi a muleta para me locomover o tempo todo”, contou.
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