Entrevista

Xanddy diz sentir falta dos ensaios do Harmonia e não enxerga segurança para Carnaval em julho; ouça a entrevista

[Xanddy diz sentir falta dos ensaios do Harmonia e não enxerga segurança para Carnaval em julho; ouça a entrevista]
06 de Janeiro de 2021 às 09:17 Por: Reprodução / Instagram Por: Tiago Di Araujo

Em um ano normal, os ensaios de verão estariam bombando em Salvador. Um dos mais famosos é, sem dúvida, "A Melhor Segunda-Feira do Mundo", da banda Harmonia do Samba, que movimenta a cidade semanalmente e atrai turistas de diversas partes do Brasil. Com a pandemia e shows cancelados, os fãs do grupo ficaram "órfãos" da festa comandada pelo cantor Xanddy, que em entrevista exclusiva ao BNews não escondeu que está sentindo falta das apresentações.

 

 

Durante o bate-papo, ele contou como está enfrentando o período em que cumpre quarentena nos Estados Unidos, com a família, sua esposa Carla Perez, e os filhos Camilly Victoria e Victor Alexandre. O momento, inclusive, tem dado oportunidade ao cantor de acompanhar os primeiros passos da filha na carreira profissional. Recentemente, Camilly lançou seu primeiro single 'On The Low', em parceria com o namorado, o rapper Red Rum.

Xanddy ainda falou do primeiro Réveillon em casa, depois de tantos anos fazendo a virada em cima do palco, e disse como vê a possibilidade do Carnaval ser realizado em julho. Para o cantor, ainda não há segurança suficiente para a festa acontecer já no meio do ano. Questionado sobre eventos que vem sendo feitos em meio à pandemia, como um recente show de Leo Santana, em São Miguel do Gostoso, o marido de Carla Perez afirma que prefere não julgar por envolver diversas questões e revela que cancelou eventos por não se sentir seguro.

Ouça a entrevista completa

 

BNews - Xanddy, um verão totalmente diferente para todos, e principalmente para você, que é um dos artistas que mais trabalham no período. Como está sendo esse momento para você?

Xanddy - Realmente é um momento bem difícil, esse período de verão que é o período que a gente mais trabalha. É triste né. É triste pra muita gente, pra vários setores e pro nosso setor também, do entretenimento, da música. É um momento sempre muito festivo, sempre muito esperado por todos, não só pelos profissionais, pelos artistas, mas pelo público em geral no nosso país. O Brasil inteiro vai pra Bahia curtir as festas de verão. Muito triste. Eu acho que, como tudo só fechou ali depois de março, eu imagino que os nossos corações, os corações de muita gente, estão bem apertados por estar passando por isso. Porém, está sendo necessário. A gente sabe que a vacina ainda não saiu, a coisa ainda não está equilibrada, os números infelizmente só aumentando e não tem muito o que se fazer. Tem que se resguardar e aguardar tudo isso amenizar.

BNews - - Mais precisamente, nesses dias, entre final de dezembro e início de janeiro, vocês do Harmonia estariam a todo vapor com a Melhor-Segunda. Sabemos que você tem se mostrado uma pessoa preocupada com o momento, mas está sentindo falta e de não poder fazer os ensaios?

Xanddy - Sim. Eu estou sentindo muita falta, de fazer os nossos ensaios, as "melhores segundas". Como falei em um post recente que eu fiz, são muitos anos fazendo isso. Então, pra mim é muito estranho esse ano não ter. É justamente o período que a gente encontra a nossa torcida, o nosso público ali que é fiel, gente de todo país, que vai pra Salvador para nos ver, e esse ano não ter isso, é muito esquisito e deixa a gente bem triste. Todos nós do Harmonia e acho que todos os envolvidos também na "Melhor Segunda".

BNews - Você tem evitado fazer shows, tem recusado convites, nesse tempo? O que você acha dos eventos realizados, a exemplo do show de Leo Santana, em São Miguel do Gostoso recentemente?

Xanddy - Na verdade assim, não que a gente esteja evitando shows. Mas, a gente avalia todo cenário antes de aceitar alguma coisa. Já rejeitamos alguns convites, entendemos que não era viável nas condições, e assim, só se for algo muito seguro para o público, pra gente, pra todo mundo, que não venha causar na verdade, polêmica, que não venha causar transtorno pra ninguém.

Sobre alguns colegas que participaram e fizeram, assim, tem uma série de questões que devem ser analisadas. Desde a questão contratual, tenho certeza que nenhum show deve ter sido fechado em cima da hora, pode ter sido fechado meses atrás. Inclusive, somos exemplos disso, tivemos convite e tivemos contrato fechados meses atrás, cinco ou seis meses atrás, que não pudemos cumprir porque houve a segunda onda, a coisa toda aumentou, e esses shows foram uns cancelados, outros adiados. E em relação a alguns colegas, tem isso né, principalmente tem essa questão contratual. Tem que saber se a pessoa apenas podia dizer que não ia fazer, que não queria fazer. É difícil pra mim entrar no mérito e julgar assim. Eu prefiro não julgar.

BNews - Como foi o Réveillon com a família, depois de tanto tempo, apesar desse momento?

Xanddy - Foi bem diferente passar o Réveillon com a minha família, em casa na verdade, porque com eles eu já passava, eu levava para os Réveillons que a gente fazia, alguns até que não tinham muitas condições, mas eu levava assim mesmo, logística meio pesada, mas eu saía arrastando comigo. Mas, foi gostoso. Foi reflexivo, eu diria. Porque por força do hábito eu estava sempre em cima do palco e fazendo a festa, isso a 20 anos. E ter passado em casa foi aconchegante, foi gostoso, mas reflexivo. Não foi 100% maravilhoso porque tudo que está acontecendo deixa tudo bem pensativo ainda.

BNews - - Esse seu momento mais com a família casou certinho com os primeiros passos, de forma profissional, da Camilly. Ela tem contado com sua ajuda, sua orientação? Vocês pretendem gravar algo juntos novamente?

Xanddy - Sim, esse momento casou muito bem com essa questão da Camilly estar se lançando. O fato de estar mais perto, me permitiu dar um suporte, contribuir com as coisas dela e estar presente nesse momento. Então, isso está sendo muito legal. Tanto eu, quanto a Carla, a gente dá um monte de dicas a ela. Aqui, na verdade, a gente aprende. Ela me ensina coisas, pela experiência eu e Carla ensinamos coisas a ela, mas como ela está fazendo produção musical, e é jovem, e está no mercado, sabendo tudo, sabe da atualidade, sabe do mercado digital, como as coisas funcionam, a gente troca experiências.

BNews - Por fim, qual a sua visão sobre o Carnaval? Em fevereiro não deve rolar, mas surgiu uma possível data em julho. Você "aprova" esse Carnaval no meio do ano ou acha mais seguro deixar para 2022?

Xanddy - Com relação ao Carnaval, eu penso assim. Eu penso que só dá pra se fazer qualquer coisa, quando a gente tiver segurança e quando a gente, eu digo a sociedade em geral, ninguém corra risco. Então, é complicado. A gente está aí no primeiro passo dessa coisa da vacina, mas eu não sei se até julho a gente vai ter avançado o tanto quanto precisamos e queremos a ponto da gente já ter o Carnaval. Isso está mais por conta agora dessa rapidez da imunização em geral, e se tratando de Carnaval, a gente precisa lembrar a questão é o país inteiro, porque ainda que a Bahia tenha, o Brasil inteiro vai querer ir pra Bahia, e isso tem que ser analisado com bastante cuidado, tem que ser feito tudo com a maior segurança. Eu penso que sempre em primeiro lugar a vida. A gente, óbvio, nós temos trabalho, nós precisamos, eu digo todos os profissionais, principalmente aqueles que contam só com aquele dinheiro para sobreviver, precisa trabalhar, é importante. Mas, a gente não pode fazer isso colocando nossa vida em risco. A nossa e outras. Então, eu penso que Carnaval é quando de fato puder acontecer de forma segura, sem disseminação geral do vírus. Essa é uma opinião muito minha.

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