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Espetáculo que aborda silenciamento da voz feminina estreia no MAM nesta semana

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O espetáculo Rainha Vashti produzido pelo Grupo A RODA estreia nesta semana no Museu de Arte Moderna (MAM)  |   Bnews - Divulgação Foto / Divulgação
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 11/11/2025, às 12h05 - Atualizado às 14h15



O espetáculo “Rainha Vashti”, produzido pelo Grupo A RODA, estreia nesta quarta-feira (13), às 18h30, no Museu de Arte Moderna (MAM). A obra, inspirada no poema homônimo de Myriam Fraga, premiada escritora baiana, aborda o silenciamento da voz feminina como metáfora para a fragilidade do poder.

Com direção, adaptação e criação das figuras de sombra assinadas por Olga Gómez, a encenação conta ainda com narração de Rita Assemany, consultoria de Marcus Sampaio, direção musical de Uibitu Smetak e patrocínio da Funarte e do Governo Federal.

A temporada terá 12 apresentações, sempre às quintas e sextas-feiras, até o dia 12 de dezembro, com sessões às 18h30 e 20h em algumas datas. Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada), disponíveis na Sympla.

Teatro de sombras

A escolha artística do teatro de sombras como técnica de encenação para Rainha Vashti guarda estreita relação com a trajetória do Grupo A RODA, um dos poucos no Brasil a trabalhar com essa arte milenar. 

Na obra, a companhia também dá continuidade à imersão no universo literário de Myriam Fraga (1937-2016) e é uma celebração da parceria artística de tantos anos e do legado poético deixado pela escritora. O próprio texto homônimo foi transformado em livro e publicado em parceria com A RODA, em 2015, com ilustrações de Olga Gómez.

Para Olga, unir teatro de sombra com poesia fará com que o público tenha uma experiência emotiva bastante singular e potente. “Enquanto a poesia nos torna sempre mais perspicazes e atentos, o teatro de sombras é uma arte dedicada aos sentidos, que permite a participação completa do espectador”, explica a diretora. 

Rainha Vashti é a expressão coletiva do núcleo de pesquisa em animação coordenado por ela ao longo de 2025. Trata-se da quarta montagem do Grupo A RODA que conta com os poemas de Myriam Fraga. “Ainda em vida, Myriam nos confiou esse maravilhoso poema lírico no qual ela trabalhou por muito tempo. Chegou o momento de cumprirmos a promessa que fizemos a ela e encená-lo pela primeira vez, o que é também uma homenagem à memória da poeta”, afirma Gómez.

Rita Assemany, que dá voz ao espetáculo, aponta que o público terá um encontro, sobretudo, com a beleza: “a beleza de uma história lúdica e mágica; de uma experiência que simplesmente pausa no tempo, em um espaço inundado por sombras e formas encantadoras – por onde navega o barco capitaneado por Olga”.

A atriz se sentiu instigada em se experimentar no palco sem o seu corpo, sem estar fisicamente presente, e ressalta que, nessa forma inédita de atuar, ela não faz a simples narração da peça. “Eu sou as próprias personagens; minha voz se adensa e incorpora rei, rainha e concubinas, sopra o fôlego de vida sobre escravos, sátrapas e profetas”, comemora Rita. Apesar do desafio, o universo feminino, do qual trata o espetáculo e que ainda é tão atual, faz parte do repertório dela há mais de quatro décadas.

A música de Uibitu Smetak e Amanda Smetak, pai e filha, completam a dramaturgia sonora, cuja ideia central teve como inspiração a tradição turca dos makams, um sistema de escalas que tem sua origem na Pérsia, terra da Rainha Vashti. 

“Escolhemos instrumentos como violino, piano e flautas doces, além de uma pequena percussão com sinos e efeitos elaborados com técnicas como o pizzicato e o ponticello”, explica Uibitu.

Ao mencionar as faixas musicais criadas, ele lembra ainda que “a trilha, no teatro de sombras, deve ter o tamanho do espetáculo, sem exagero de sons, pois ela precisa refletir a delicadeza desse formato de teatro”. É dessa maneira que a música e a sonoplastia conseguem contar a mesma história narrada.

Classificação Indicativa: Livre

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