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"Eu não quero estar do lado do Alexandre de Moraes", dispara cantor famoso conhecido por defender favelados

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Aos 57 anos, cantor dispera: "Eu não quero estar do lado do Alexandre de Moraes, mas, porra... [risos]."  |   Bnews - Divulgação Ilustrativa/Freepik
Juliana Barbosa

por Juliana Barbosa

juliana.barbosa@bnews.com.br

Publicado em 27/12/2024, às 12h17



Marcelo D2, aos 57 anos, ainda carrega a veia punk que moldou sua trajetória artística e pessoal. Ele continua inquieto, contestador e disposto a explorar novos caminhos na música e na vida. Em entrevista recente, o músico revisitou momentos marcantes de sua carreira, compartilhou reflexões sobre liberdade de expressão e falou sobre o impacto do "fascismo tropical" no debate público. As informações são do portal Uol.

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Entre risos, ele resumiu sua visão sobre o atual debate público no Brasil:

“Aí joga a gente para o lado do STF. Eu não quero estar do lado do Alexandre de Moraes, mas, porra... [risos]. A gente acaba tendo que ficar”.

A declaração veio no contexto de sua crítica ao uso deturpado da liberdade de expressão por grupos conservadores. Para D2, o conceito tem sido usado como justificativa para disseminar discursos de ódio e atacar sem consequências.

Um novo capítulo musical

O rapper está lançando o álbum Manual Prático do Novo Samba Tradicional, que mistura o peso do grave eletrônico do hip hop com as raízes do samba. Segundo ele, esse trabalho simboliza uma renovação artística.

“O Cacique de Ramos desafiou a tradição, assim como a turma do Estácio lá nos anos 1920. Colocaram a música de terreiro na rádio. Essa fusão me trouxe algo que eu não sentia há 15, 20 anos. Parece que comecei uma carreira nova”, explicou.

Apesar do sucesso do rap carioca, movimento que ajudou a consolidar, D2 decidiu explorar o samba, para o desconforto de seu empresário. “Ele fala: ‘No melhor momento do rap você vai cantar samba?’ [risos]. Mas eu me vejo como um vanguardista. Meu papel é desbravar os caminhos e questionar.”

As raízes punk e o papel da resistência

Marcelo D2 relembrou o impacto do punk rock em sua formação durante os anos 1980, período marcado pelos resquícios da ditadura militar. Ele destacou a força do movimento como espaço de contestação.

“Na época, a MPB falava tudo nas entrelinhas. O punk vinha xingando o mundo, botando o dedo na ferida. Foi um impacto grande. Pensei: ‘É desse jeito que quero viver’.”

Ao migrar para o rap, encontrou uma nova forma de expressão coletiva. Ele lembrou que sua fusão inicial entre punk e rap no Planet Hemp abriu discussões importantes sobre liberdade de expressão, especialmente após a prisão da banda em 1997 por apologia ao uso de drogas.

“A gente ria na cadeia, mas foi uma experiência terrível. Oito dias presos com muita pressão psicológica. Isso pesou na banda, que acabou logo depois.”

D2 destacou que, mesmo com avanços na aceitação da maconha, a luta pela legalização ainda precisa incluir reparação histórica. “Ainda tem muito preto e pobre apanhando e sendo preso. O Brasil ainda não aceitou que a maconha pode fazer bem.”

Reflexões sobre política e polarização

A eleição de 2018 e os ataques virtuais que sofreu foram um ponto de virada para Marcelo D2. Ele relatou a ruptura de amizades e o impacto do “gabinete do ódio” em sua vida pessoal.

“Foi um divisor de águas na minha vida. Você olha e pensa: ‘Essa galera me entregaria para a tortura’. Foi tenso, mas necessário para enxergar quem está do seu lado.”

Ele também criticou a postura de colegas roqueiros que aderiram a discursos conservadores. “Como tem roqueiro reaça! É a classe média medíocre brasileira. Vestem camisa da CBF, vão para Miami e odeiam o Nordeste. Isso não é patriotismo, é hipocrisia.”

Reinvenção e autenticidade

Marcelo D2 continua fiel ao lema punk do “faça você mesmo”, que aplica em projetos como a Ocupação Iboru, um espaço cultural no centro do Rio de Janeiro.

“Ainda continuo fazendo fanzine, construindo as coisas com as próprias mãos, sem esperar ninguém. Nesse lugar, o punk ainda vive em mim.”

Classificação Indicativa: Livre

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