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"Eu sei que Jesus me aceita", declara pastor trans que fundou igreja para LGBTs

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Heliano Ferreira, pastor trans, fundou uma igreja inclusiva juntamente com a esposa  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Redes Sociais
Tiago Di Araújo

por Tiago Di Araújo

tiago@bnews.com.br

Publicado em 12/11/2024, às 13h07



Em maio deste ano, uma igreja passou a chamar atenção na cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Isso porque a Igreja Apostólica Kaléo Chamados em Cristo se descreve como um templo inclusivo e foi fundado por um casal LGBT, tendo como líderes a pastora Maiara Heli, casada com o pastor Heliano Ferreira, um homens trans.

"Por mais que 90% da sociedade fale que os LGBTs não herdarão o reino do céu, depois que conheci o Evangelho, eu sei que Jesus me aceita",

disse Heliano, em entrevista ao UOL ao contar um pouco da sua história de vida semelhante aos de muitos outros LGBTs.

Hoje com 45 anos, Heliano nasceu e foi criado em uma família católica tradicional e enfrentou todo preconceito religioso por muitos anos. "Minha família sempre foi muito preconceituosa com pessoas LGBTs. Chegou um ponto em que eu pensei: como eu vou ter um relacionamento com outra menina? Eu não posso. Eu sou sapatão? Eu vou para o inferno, minha mãe vai me dar uma surra", contou ao relembrar quando começou a sentir atrações por mulheres sentimento que escondeu até os 34 anos.

Depois de se assumir lésbica, foi surpreendida com a compreensão da própria mãe e também dos amigos. "Elas me disseram que eu já tinha um jeito de 'sapatão'", recorda a fala semelhante a da própria mãe. "Sempre soube que você era 'sapatão'", conta ao relembrar que apesar da aceitação ainda enxergava como um pecado em relação a Deus.

Tudo mudou quando recebeu um convire para ir ao culto de uma igreja inclusiva, em que pessoas LGBTs são bem-vindas, onde disse ter conhecido o Evangelho e também Maiara, sua atual esposa, com quem está há sete anos e decidiram propagar a inclusão religiosa. O nome escolhido para igreja é interpretado como "chamado" ou "vocação".

"Não vivo em promiscuidade, eu sou esposo de uma mulher só, casei diante de Deus e pela lei, porque hoje ela garante isso. Pior são homens e mulheres em cima de altares, mentindo para si próprios, para a sociedade e para Deus. Esses, sim, acho que irão pagar uma conta alta com Deus", declara.

Antes da fundação da igreja, iniciou a transição de gênero, com aprovação da esposa e dos filhos, fazendo tratamento com hormônios para ajudar a ter características masculinas no corpo, a exemplo de barba, que era um dos seus sonhos. Em 2020, descobriu um câncer de mama, iniciou tratamento e um ano passou por uma mastectomia (retirada de mama). A outra mama foi retirada somente neste ano. "Agora, estou 100% Heliano, vivendo o que sempre quis viver e sem câncer. Estou em remissão há 3 anos, fazendo exames todos os anos, mas graças a Deus sem vestígios de volta do câncer."

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