Entretenimento
Fã-clubes de artistas brasileiros e internacionais começaram a organizar uma mobilização digital em apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A articulação reúne mais de 100 comunidades de fãs, incluindo páginas dedicadas a Anitta, Luísa Sonza, Beyoncé, Ariana Grande, BTS e BLACKPINK, que pretendem ampliar o alcance de conteúdos favoráveis ao petista nas redes sociais.
Identificado como Fandoms com Lula, o movimento se apresenta como independente e afirma não ter filiação partidária. Entre as estratégias estão publicações simultâneas, uso de slogans e hashtags, compartilhamento de imagens e distribuição de cartilhas com orientações para abordar eleitores.
LINDO! Fandoms se unem à Lula e disponibilizam ajuda para buscar os votos dos mais de 30 milhões de abstencionistas que não foram votar nas eleições. https://t.co/NTDjRU3EIR
— POPTime (@poptime) October 5, 2026
A iniciativa ganhou força depois do primeiro turno, quando Lula terminou a votação com 45,16% dos votos válidos, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 47,03%. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Entre os materiais compartilhados está um documento intitulado Como vencer o 2º turno, que apresenta sugestões de mobilização e orientações sobre públicos a serem procurados pelos participantes. O guia destaca eleitores com 70 anos ou mais e beneficiários de programas sociais.
Para o primeiro grupo, o documento considera o voto facultativo a partir dos 70 anos e defende que estimular o comparecimento às urnas pode ter impacto no resultado. Já em relação aos beneficiários de programas sociais, recomenda conversas sobre políticas públicas, benefícios recebidos e propostas dos candidatos.
O arquivo não identifica seus autores nem apresenta a identidade visual da campanha oficial de Lula. No entanto, o documento disponibilizado no Google Drive aparece associado ao e-mail de Ergon Cugler, integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), órgão de assessoramento da Presidência da República. Ele foi procurado para esclarecer sua participação na elaboração ou distribuição do material, mas não respondeu até a publicação da reportagem original.
Os administradores do Fandoms com Lula também foram procurados, sem resposta.
A articulação provocou reações de usuários da oposição, que questionaram a legalidade das publicações e acionaram empresas e representantes ligados aos direitos de artistas cujas imagens aparecem em algumas peças. O deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL) classificou o movimento como “gabinete do ódio” nas redes sociais.
A legislação eleitoral permite manifestações políticas espontâneas de pessoas físicas na internet, mas estabelece restrições, entre elas a contratação de impulsionamento e de disparos em massa por pessoas naturais, além do pagamento ou concessão de vantagens econômicas em troca de publicações político-eleitorais. A realização de postagens coordenadas, por si só, não configura necessariamente uma infração.
Outro ponto importante é que a participação de uma página de fãs em uma mobilização não comprova que o artista homenageado tenha declarado apoio ao candidato. Os perfis são administrados por fãs e suas iniciativas não representam automaticamente o posicionamento das personalidades.
Além das ações virtuais, integrantes do movimento passaram a divulgar encontros e manifestações em diferentes estados. A articulação também promoveu uma conversa virtual com Simone Nascimento, codeputada estadual da Bancada Feminista do PSOL, reeleita em São Paulo, para compartilhar estratégias de mobilização e engajamento nas redes.
A mobilização também repercutiu entre fãs de Ivete Sangalo. Na quarta-feira (7), a página News Sangalo anunciou que suspenderá os conteúdos relacionados à cantora até o fim do segundo turno, alegando que pretende direcionar sua visibilidade para a causa política.
“Estamos estudando também a suspensão do Fã Clube após o segundo turno da eleição, visto que a prioridade agora é vender ingressos e isso nos deixa profundamente tristes e desapontados”, declarou o perfil em publicação nas redes sociais.
O manifesto também cobra um posicionamento político de Ivete e manifesta insatisfação com a prioridade dada à divulgação de festas, eventos e vendas de ingressos durante o período eleitoral.
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Na terça-feira (6), a cantora Daniela Mercury havia marcado Ivete em uma publicação e pedido que ela convocasse seus seguidores a apoiar Lula no segundo turno. “Mulher de poder e amiga querida, que tal chamar a sua galera para eleger Lula nesse segundo turno, como você fez no primeiro? Bora?”, escreveu Daniela.
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