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Outros ex-integrantes da FitDance revelam abusos da empresa que vão desde baixos cachês a controle das redes sociais

[Outros ex-integrantes da FitDance revelam abusos da empresa que vão desde baixos cachês a controle das redes sociais]
Por: Reprodução / Instagram Por: Redação BNews 0comentários

Já ouviu aquele ditado: "quanto mais mexe, mais fede"? Pois, é assim que está sendo a polêmica envolvendo a FitDance. A cada dia, ex-membros aparecem contando mais casos de relação abusiva que teve com a empresa. Assim como já fez Diogo Pretto, Juliana Paiva, Dam Fernandes, Isis Oliveira, e até mesmo Lore Improta, agora foi a vez de outros ex-integrantes quebrarem o silêncio.

Dessa vez, Pâmela Sampaio, Celso Calasans e Lua Vilas foram os que detalharam diversas situações constrangedoras que viveram no período que fizeram parte do grupo. Segundo os dançarinos, os "abusos" iam desde baixos cachês, cerca de R$ 50 por vídeo, até o controle das redes sociais pessoais, sem contar a não divulgação dos créditos dos coreógrafos.

Cachês baixos
“Hoje, tendo conhecimento do valor de mercado, sei que nosso cachê era baixo, ainda mais se levarmos em conta que tínhamos contrato de exclusividade e também éramos considerados a atração principal da empresa”, contou Celso em entrevista ao colunista Léo Dias, no site Metrópoles.

“Eu não tinha mais contato com o mercado de trabalho fora do FitDance. Como estávamos proibidos de fazer qualquer coisa por fora, não sei por quanto o mercado estava contratando nem quanto os clientes pagavam ao FitDance pelo nosso trabalho. A impressão que tenho por causa de algumas tentativas de clientes querendo me contratar diretamente, sem a intermediação da FitDance, era que nós éramos mal remunerados pelos eventos e participações. Quanto ao cachê da gravação dos vídeos, claramente recebíamos pouco, principalmente porque o canal cresceu muito ao longo dos anos e nosso cachê foi pouquíssimo ajustado”, revela Pâm, que foi integrante da equipe durante seis anos.

 

Carga horária excessiva
E pelo que parece, o problema não era só a questão da grana. O trabalho excessivo também era algo que parecia ser imposto pelo dono do grupo. E, leitor, não pense que o trabalho deles era fácil. Tanto Pâm quanto Celso afirmam: eles só tinham hora para chegar nas gravações, e não para sair. “Eu sei que esse mercado do entretenimento possui horas puxadas mesmo, mas, em geral, as pessoas são remuneradas de acordo. Trabalhar muitas horas porque estávamos no Carnaval ou num festival é normal, o que não é normal é receber pouco por isso, não ter espaço para colocar suas insatisfações, não poder opinar, reclamar e ser punida por qualquer coisa que a empresa julgasse errada”, comenta Pâm. Celso complementa: “Em clipes de bandas parceiras da empresa, muitas vezes recebemos cachê simbólico para gravação que muitas vezes acabava de madrugada”.

Controle das redes sociais
“A relação com a empresa foi ficando cada vez mais decepcionante e desmotivante. Nas reuniões, nos eram lembradas possíveis notificações caso não cumpríssemos com as determinações, mesmo que algumas delas não estivessem estabelecidas no contrato, como, por exemplo, não poder fazer IGTV, nem ter TikTok. Em uma dessas reuniões, pontuei tudo que fiz pela empresa em todos os anos, os inúmeros finais de semana que me dediquei criando coreografias das quais não receberia nada, o fato de ter largado uma escola de dança na qual eu tinha carteira assinada e toda dedicação para a empresa desde o começo, e após, pontuar tudo isso, o que eu ouvi do dono da empresa, na frente de todos que estavam presentes, equipe show e produção, foi: ‘Celso, mas seus esforços não foram o suficiente’”, declara o dançarino.

Além de não poder participar de outros canais no YouTube, os integrantes também tinham diversas restrições quanto às suas próprias redes sociais. “Alguns contratos mais novos realmente proibiam vários tipos de postagens e até exigiam acesso a suas redes sociais. Mas nós todos éramos proibidos de postar várias coisas com argumentos ameaçadores ou interpretações forçosas do contrato”, afirma Pâm.

“Os integrantes mais novos tinham as restrições sinalizadas no contrato. Já o meu e o de integrantes mais antigos, as restrições eram impostas verbalmente, o que a gente não concordava. Uma vez alguns integrantes se recusaram a gravar para o IGTV da empresa até que fosse liberado que cada um pudesse criar o seu próprio IGTV, mas mesmo assim não conseguimos acordo”, conta Celso.

Contrato de agenciamento e exclusividade
Ao serem contratados pelo FitDance, os dançarinos eram obrigados a contratar o grupo para agenciamento. Assim, a equipe podia proibir qualquer trabalho para o qual eles fossem convidados. “Não sei dizer quantas vezes fui proibido. Já teve caso em que eu pedi para não cobrar nada, porque era um trabalho que eu faria com a minha namorada e, ainda assim, fui barrado. Tiveram outras situações também onde recebi mensagens de pessoas dizendo que tentaram me contratar e a empresa afirmava que eu não tinha data, sendo que eu estava disponível”, comenta Celso.

“Eu fiz alguns trabalhos, quase todos depois de insistir muito para que respondessem o cliente, ficar no pé mesmo. Perdi a maioria das tentativas de contratação, patrocínio, presença VIP… porque aqueles que deviam ser os meus agentes me proibiam para se auto beneficiarem e às vezes por puro descaso”, explica Pâm.

Penalidades e multas
O contrato com o FitDance previa multas de valores altos em casos como gravar vídeos para outros canais no Youtube. “Quando a Juliana Paiva se desvinculou da equipe, gravamos um vídeo para o meu canal. Depois do vídeo ter sido publicado, ela recebeu uma multa de R$ 10 mil por ter gravado comigo. Foi muito decepcionante pra mim, mas com o passar do tempo, todos nós que fomos afetados, direta ou indiretamente, pelas atitudes da empresa percebemos as injustiças”, comenta Lua Vilas, coreógrafa de artistas como Psirico e Harmonia do Samba.

“Eu nunca sofri essa multa porque sempre recuei diante da oportunidade de trabalhos extras. Mas já vi colegas que foram multados e éramos sempre ameaçados com isso. Eles faziam questão de, quando aplicavam a multa, mostrar para todo mundo, para que aquilo servisse de exemplo e constrangesse a gente. Mas sofri outras penalidades veladas. Sempre que eu levantava algum ponto polêmico, cobrava posicionamento lá dentro, era deixada de lado. Não me escalavam para eventos, me colocavam para gravar as músicas que eles achavam que teriam menos visualizações e coisas desse tipo”, afirma Pâm.

Créditos de coreografia
Os dançarinos que criavam coreografias para o canal não recebiam pagamento por isso. E, com o tempo, deixaram de receber até mesmo o reconhecimento. “Houve uma época em que eles davam meus créditos no canal de coreografias avançadas, mas posteriormente decidiram que somente a empresa seria creditada. Em alguns casos, bandas pagavam para ter a sua música no canal e ainda quando criávamos essas coreografias que foram pagas, não recebíamos nada”, afirma Celso.

Mesmo coreógrafos que não eram contratados pela equipe também não recebiam os devidos créditos, como Lua, que já viu diversos vídeos de suas coreografias publicadas, como a de “Sacanagenzinha”, do Harmonia do Samba, e precisou exigir que seu nome fosse incluído no vídeo. “Eu costumo dizer que os créditos são a assinatura do coreógrafo. É preciso entender a importância desse trabalho e buscar sempre a fonte de um trabalho artístico que você goste, afinal, a maioria dos artistas se desenvolve assim. Sei que muitos coreógrafos também passaram pela mesma situação, o que é decepcionante, visto que se trata de um meio voltado para dança e seria essencial a valorização de todos os coreógrafos e dançarinos”, finaliza Lua.

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