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Globo enfrenta pressão por metas, corta gastos e toma atitude drástica em ano histórico; entenda

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Apesar do aumento na receita, os custos elevados impactam negativamente o Ebitda, que caiu 20% no último trimestre em ano histórico  |   Bnews - Divulgação Reprodução TV Globo
Juliana Barbosa

por Juliana Barbosa

juliana.barbosa@bnews.com.br

Publicado em 17/11/2025, às 11h47



Mesmo com bons resultados de audiência e sucessos comerciais, como a reta final de Vale Tudo e a despedida de William Bonner do Jornal Nacional , a Globo não deve alcançar a meta de faturamento publicitário prevista para 2025. A emissora projetava cerca de R$ 10 bilhões apenas com TV aberta, mas deve fechar o ano aproximadamente R$ 700 milhões abaixo. As informações são do portal Notícias da TV. 

A empresa admite que o ano é desafiador e que o cenário afeta todo o setor de mídia, mas diz manter otimismo para o fechamento de 2025. 

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Clima de pressão 

A queda na expectativa de receita não significa prejuízo: a emissora crescerá, mas menos do que planejava, o que intensificou nos últimos meses uma política de contenção de gastos. 

Novelas ficaram mais enxutas, com menos externas e figurantes, e até as tradicionais festas internas de fim de ano, que costumam reunir funcionários por setores, foram canceladas. A decisão ocorre no mesmo ano em que a TV Globo completa 60 anos, e o Grupo Globo, 100. 

O movimento interno busca preservar outra meta considerada crucial: o Ebitda, indicador que mede geração de caixa e influencia na PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Se a margem final ficar abaixo de 80% do objetivo, nenhum funcionário recebe o benefício. 

Crescimento existe, mas as despesas avançam mais rápido 

Os relatórios financeiros mostram um 2025 de alta complexidade. 

No primeiro trimestre, a Globo faturou R$ 4,1 bilhões, 13% acima do ano anterior. Mas os custos subiram 22%, reduzindo o Ebitda para R$ 647 milhões, queda de 20%. 

No segundo trimestre, o desempenho se repetiu: receita de R$ 4,5 bilhões, mas Ebitda de apenas R$ 286 milhões, com margem de 6,4%, abaixo dos 10,6% de 2024. 

Parte da pressão vem da queda nas receitas de assinaturas, Globoplay e canais pagos, que já representaram 43% do faturamento, hoje respondem por menos de 35%. A publicidade digital e o Premiere Play foram os principais motores de crescimento no período. 

Funcionário questiona cortes e acaba demitido 

A tensão interna ganhou repercussão após o vazamento de um e-mail enviado por um diretor da casa para diversas lideranças. No texto, ele criticava condições de trabalho, salários e questionava se as festas de fim de ano seriam canceladas por cortes financeiros. O funcionário acabou demitido e virou assunto entre colegas. 

O que diz a Globo 

Procurada, a emissora confirmou o cancelamento das festas por setor, mas negou relação com dificuldades financeiras. Segundo nota, a decisão ocorreu porque a empresa realizou duas grandes celebrações, no Rio e em São Paulo, pelos 100 anos do grupo, incluindo um evento gastronômico exclusivo para colaboradores. 

Sobre supostas irregularidades trabalhistas, a Globo afirma: 

“Não é verdade que houve qualquer desvio ou corte irregular de recursos. A empresa possui mecanismos internos para tratar insatisfações, e lamentamos que o ex-funcionário não tenha utilizado esses canais.” 

A emissora reforçou ainda que trabalha para atingir todas as metas até o fim do ano: 

“Apesar do contexto econômico desafiador, a Globo apresenta resultados sólidos e mantém perspectiva positiva para o fechamento de 2025.” 

Classificação Indicativa: Livre

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