Entretenimento
O Grupo Gay da Bahia (GGB), representado pelo diretor Marcelo Cerqueira, se pronunciou nesta segunda-feira (24) sobre a decisão do Afoxé Filhos de Gandhy de proibir homens trans no bloco de carnaval.
Para o GGB, a decisão "expõe um lado obscuro, preconceituoso e transfóbico da instituição", além de ferir o estatuto simbólico do carnaval. Confira o pronunciamento completo:
A recente decisão do Afoxé Filhos de Gandhy de proibir a participação de homens trans no bloco é um retrocesso que expõe um lado obscuro, preconceituoso e transfóbico da instituição. Essa regra não tem qualquer justificativa válida além de promover a exclusão e a transfobia dentro do coração pulsante do Carnaval, um espaço historicamente marcado pela diversidade em Salvador.
É importante revelar como essa norma é medíocre e controversa que fere o estatuto simbólico da folia, que estabelece uma pausa nas normas tradicionais, permitido o folião ser o que ele/ela quiser, valendo vestir roupa de homem ou de mulher, troca de papéis de gênero. Igualmente, lembrar a esses senhores mal-educados e mal-informados sobre gênero e orientação que a maioria dos homens trans já passa por terapia hormonal, e muitos apresentam características físicas como barba e pelos corporais mais evidentes do que alguns integrantes da própria diretoria do Gandhy. Isto, é, são por esses aspectos mais homens.
Além disso, muitos já realizaram a retificação de nome e gênero nos documentos oficiais, o que os reconhece legalmente como homens, sem qualquer possibilidade de associação a outra identidade. Logo, qual é, de fato, o critério real dessa proibição? O Gandhy, parece que quer tirar uma de Ministério Público, procurador ao avesso.
Essa decisão tranqueira não tem lógica e nem respeito pela identidade de gênero que um traço fundamental de cada um. Será que, por trás dessa decisão, há um pretexto disfarçado para manter uma seletividade baseada em preconceito? Seria uma forma de tentar preservar uma tradição à custa da exclusão de quem tem direito de ocupar esse espaço? Será que a implementação dela estabelece uma vistoria nas cuecas de cada associado para ver o que cada um guarda dentro?
O Grupo Gay da Bahia repudia essa postura discriminatória e reforça que o Carnaval deve ser um espaço de inclusão, liberdade e respeito. O Afoxé Filhos de Gandhy tem uma trajetória importante na cultura baiana, mas essa decisão não condiz com o espírito de um bloco que prega a paz e a fraternidade. Afinal, não há paz onde há exclusão.
Esperamos que essa diretriz seja revista e que o bloco compreenda que a diversidade enriquece, não ameaça. Que o Gandhy não se transforme em um tribunal de segregação, mas sim de acolhimento para todos os filhos de Oxalá, independentemente de sua identidade de gênero. Que o afoxé, aproveite esse momento para reparar esse erro, convidado grupo de homens trans para saírem no Carnaval no trio.
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