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Ilze Scamparini relembra pergunta que deixou papa Francisco 'nervoso': "Ficou bastante embaraçado"

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Papa Francisco teria ficado 'nervoso' após pergunta da jornalista brasileira  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Redes sociais
Natane Ramos

por Natane Ramos

Publicado em 26/04/2025, às 18h32



Ilze Scamparini, correspondente de Roma da TV Globo, relembrou um momento marcante que teve com o pontífice. Durante a cobertura do funeral do líder da igreja católica, neste sábado (26), ela comentou sobre uma pergunta que teria feito ao religioso que o deixou nervoso.

"Doze anos se passaram. Quando me transporto para aquela cena no avião, ainda sinto um impacto no meu sistema nervoso daquela fala do papa, 'Quem sou eu para julgar?', referindo-se aos homossexuais. Muitos progressistas gostaram dessa fala, mas os ultraconservadores, nem tanto", começou.

A jornalista comentou como funcionou o encontro. "Era um domingo, e entrei no avião com uma intuição. Me coloquei numa espécie de fila para fazer minha pergunta, levantando minha mão. Dois jornalistas brasileiros cederam os lugares deles para mim. Fiquei bastante tempo com o braço levantado. Alguns jornalistas fizeram perguntas, até que o porta-voz do Vaticano encerrou a entrevista, deixando meu braço levantado sem resposta", informou.

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Ilze foi notada pelo papa após a sua pergunta de destaque. "Mas o papa não me ignorou, olhou para mim e pediu ao porta-voz para deixar que eu falasse. Num gesto, me chamou. Eu fui lá na frente, onde ele estava, e peguei o microfone. Antes de perguntar, pedi licença ao papa para tocar num assunto delicado. Ele consentiu com a cabeça, bem sério. Na hora, Francisco ficou bastante embaraçado, um pouco nervoso. Essa foi a minha impressão. Era a primeira vez que alguém perguntava a um papa sobre gays", pontuou.

"Depois, ele foi fazendo sua reflexão, e então veio a frase, criando um antes e depois, 'Quem sou eu para julgar?'. Isso dito por uma igreja que sempre julgou de uma maneira impiedosa", relembrou.

Após a entrevista, a repórter revelou que Francisco a agradeceu. "Ele me agradeceu, falou 'obrigado por ter feito essa pergunta', mas já não sorria. Saí dali sentindo uma emoção muito forte, contrastante. Sentei-me na cadeira do avião, fechei os olhos, e por um instante senti alguém apertando meu braço. Era o padre Lombardi, o porta-voz, que me disse algo como '[fica] tranquila que o papa gostou da pergunta'. Oito ou nove horas depois, a gente pousou em Ciampino, em Roma. A confusão estava armada e começou então um debate na igreja que até hoje não terminou", encerrou.

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