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Jornalista detona Tony Salles por hit “Panamera” e o acusa de “assassinar” clássico da música mundial: “mais tosco e sexualizado exemplar da axé”

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Artigo publicado por Cynara Menezes, na revista Fórum, critica adaptação de “Guantanamera” feita por Tony Salles, uma das músicas mais tocadas do pré-Carnaval de Salvador 2026  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Tiago Di Araújo

por Tiago Di Araújo

tiago@bnews.com.br

Publicado em 05/02/2026, às 08h59



A música “Panamera”, de Tony Salles, desponta como uma das principais apostas para se tornar hit do Carnaval de Salvador em 2026, inclusive é uma das mais votadas na enquete do BNews Folia. Com forte presença nas redes sociais, milhões de visualizações no YouTube e ampla divulgação em outdoors espalhados pela capital baiana, a canção vem ganhando espaço em festas, programas de televisão e playlists voltadas para o período carnavalesco.

O sucesso, no entanto, também gerou críticas. Em artigo publicado no blog Socialista Morena, da revista Fórum, a jornalista Cynara Menezes analisa a música e afirma que “Panamera” é uma adaptação de “Guantanamera”, clássico da música cubana, cuja melodia é de domínio público. No texto, ela sustenta que a versão apresentada por Tony Salles, quem chamou de “marido de Scheila Carvalho”, a morena do finado grupo É o Tchan", descaracteriza a obra original.

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Segundo Cynara, “Panamera nada tem de original” e seria uma “versão descarada, bagaceira e jabazeira de Guantanamera”, canção que, de acordo com a jornalista, faz parte da identidade cultural de Cuba há quase 100 anos. Ela relembra que a letra original foi popularizada em 1929 por Joseíto Fernández, a partir de versos do poeta José Martí, fundador do Partido Revolucionário Cubano.

No artigo, a jornalista cita diferentes artistas que gravaram versões da música ao longo das décadas, como The Sandpipers, Yellowman, Wyclef Jean, Célia Cruz e Luciano Pavarotti, destacando que todos mantiveram o refrão original. Para Cynara, a mudança feita em “Panamera” representa uma ruptura com esse histórico. Ela afirma que Tony Salles e os compositores creditados na música “mudaram toda a letra, inclusive o refrão, para adaptá-la ao mais tosco e sexualizado exemplar da axé music”.

A jornalista também critica o conteúdo da letra, que, segundo ela, transforma a personagem central da canção em uma mulher descrita como interesseira. “Agora, em vez da ‘guantanamera’, a ‘guajira’ de Guantánamo, a personagem central é uma mulher assanhada e interesseira, uma ‘Maria Gasolina’ louca para transar dentro de um carro”, escreve.

Outro ponto levantado no artigo é o uso do nome Porsche Panamera na música. Para Cynara Menezes, a canção se transforma em publicidade indireta. “O pagodeiro transformou Guantanamera em propaganda de carro, o popular jabá”, afirma no texto.

Ao longo do artigo, a jornalista também compara a nova versão com gravações tradicionais feitas por artistas como Compay Segundo e o Buena Vista Social Club. Em um dos trechos, escreve: “Dá até vergonha de ser brasileira num momento desses”, ao comentar a diferença entre as interpretações.

No encerramento, Cynara questiona possíveis reações à adaptação da música. “Quem vai cobrar de Tony Salles o assassinato de Guantanamera?”, escreve, ao relembrar disputas autorais envolvendo a canção no passado. Por fim, ela declara: "Dá até vergonha de ser brasileira num momento desses".

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