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Mensagens revelam que Cariani acompanhava investigação e recebia informações sigilosas de policial, diz MP

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Segundo a investigação, Cariani mantinha contato próximo com um policial civil, que supostamente ajudava a obstruir a investigação em andamento  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes Sociais
Redação BNews

por Redação BNews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 30/10/2026, às 06h49



Mensagens extraídas do celular do influenciador Renato Cariani, condenado por suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de produtos químicos usados na fabricação de drogas, apontam que ele acompanhava de perto da investigação conduzida pela Polícia Civil, inclusive com a ajuda de um policial. A informação consta nas alegações finais apresentadas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

De acordo com o documento, Cariani mantinha contato com o policial civil André Dziuba, que trabalhava na área de controle e fiscalização de produtos químicos. Para os promotores, as mensagens demonstrariam que o influenciador tinha acesso a informações sobre diligências, questionava o andamento do inquérito e recebia atualizações sobre as medidas adotadas pelos investigadores.

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O MP sustenta que o policial teria atuado para dificultar o avanço da apuração, supostamente atendendo a pedidos de Cariani. A investigação mencionada foi conduzida pela Polícia Civil e acabou arquivada em 2023, após tramitar na 2ª Vara Criminal de Diadema, na Grande São Paulo.

Cariani sabia detalhes do inquérito

Entre as conversas destacadas na promotoria, estão algumas trocadas em novembro de 2021. Na ocasião, segundo o documento, Dziuba informou a Cariani que o escrivão precisava ouvi-lo no inquérito relacionado à farmacêutica AstraZeneca, mas afirmou que o procedimento poderia ocorrer no momento mais conveniente para o empresário.

"O escrivão precisa te ouvir naquele inquérito da AstraZeneca, mas isso nós vamos fazer ao seu tempo, não tem pressa", escreveu o policial.

No mês seguinte, o assunto voltou a ser discutido. O agente teria perguntado como Cariani gostaria de organizar o depoimento e indicado que a oitiva poderia ser adiada caso não fosse possível realizá-la naquele momento.

Já em julho de 2022, o agente pediu que o influenciador verificasse placas de veículos relacionadas à investigação. Na mesma conversa, Cariani questionou se o inquérito ainda não havia sido encerrado.

Em resposta, Dziuba afirmou que a apuração estava praticamente concluída e que restava localizar os veículos envolvidos na retirada de mercadorias. O policial também teria dito que mantinha contato com o escrivão responsável pelo caso.

Outro trecho citado pelo Ministério Público aponta que, em setembro daquele ano, Cariani voltou a perguntar sobre o encerramento do procedimento e recebeu como resposta que o delegado havia determinado a identificação dos veículos. Como as placas não foram localizadas, segundo a mensagem atribuída ao policial, teria sido elaborado um relatório para evitar novas diligências.

Empresário e policial seriam próximos, diz MP

As investigações apontam que Cariani e Dziuba tinham relações comerciais. Conforme os documentos, o policial solicitava orientações técnicas sobre produtos químicos e fiscalizações, enquanto o influenciador recebia informações sobre diligências e chegava a sugerir empresas que poderiam ser fiscalizadas.

Para o MP, a relação teria sido utilizada tanto para proteger o grupo investigado quanto para prejudicar possíveis concorrentes do mercado de produtos químicos.

Os promotores também mencionaram uma conversa de abril de 2019, na qual o policial questionou Cariani sobre o controle de uma determinada substância pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O influenciador teria respondido que o produto era controlado e utilizado para aumentar o rendimento da cocaína.

O Gaeco, grupo do Ministério Público responsável pela investigação, considera que o conteúdo encontrado nos dispositivos eletrônicos reforça a suspeita de que Cariani tinha conhecimento da destinação dos insumos químicos e buscava evitar o avanço das apurações.

Pedido de condenação

Na quarta-feira (21), a Promotoria solicitou a condenação de Renato Cariani, Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira por associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro.

Caso todos os pedidos sejam acolhidos pela Justiça, a pena individual dos acusados poderá chegar a 51 anos e 8 meses de prisão, conforme cálculo apresentado pelo advogado criminalista Anderson Almeida. O empresário responde ao processo em liberdade.

Segundo a acusação, Cariani teria participado de um esquema de desvio de produtos químicos utilizados na fabricação de entorpecentes, especialmente cocaína e crack. A empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, da qual ele era sócio, é apontada como parte central das operações investigadas.

A Polícia Federal indiciou o influenciador em dezembro de 2023, durante a Operação Hinsberg. Em fevereiro de 2024, ele se tornou réu no processo.

Na denúncia, os investigadores apontaram que a empresa teria simulado 59 operações comerciais para justificar a saída de insumos químicos. Os produtos seriam faturados em nome de empresas que não haviam solicitado as mercadorias, permitindo o desvio do material.

O MP também pediu a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira, por considerar que não existem provas suficientes para uma condenação.

Classificação Indicativa: Livre

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