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Uma casa diferente de tudo ao redor, com curvas no lugar de linhas retas e espaços que parecem não ter começo nem fim. É assim o único imóvel residencial assinado por Oscar Niemeyer em São Paulo, que agora está à venda bagatela de R$ 16,5 milhões, além de R$ 6500 de IPTU anualmente. As informações são da Revista Caras e Contigo!.
Localizada no Alto de Pinheiros, área nobre da zona oeste da capital, a residência carrega não só valor de mercado, mas também uma história pessoal. O projeto foi um presente do arquiteto para o engenheiro Milton Mitidieri, parceiro em obras importantes do país. Embora tenha sido desenhada nos anos 1960, a construção só ficou pronta em 1974 e nunca saiu das mãos da família.
Quem cresceu no local lembra de um tempo em que a casa era vista de forma bem mais simples:
“Na época, nem imaginávamos o valor arquitetônico que esse lugar teria. Para mim, com 11 anos, era só uma casa grande e divertida, com uma rampa onde deslizávamos de skate”, contou Milton Mitidieri Filho ao G1.
Com 670 metros quadrados de área construída em um terreno de 1.800 metros, o imóvel é considerado por especialistas um dos exemplos mais completos da fase residencial de Niemeyer. Nesse tipo de projeto, o arquiteto costumava ter mais liberdade para experimentar.
Isso aparece em vários pontos da casa. A sala de jantar, por exemplo, foge do padrão e foi construída em um nível mais baixo. As paredes internas não chegam até o teto, o que ajuda a espalhar melhor a luz e o ar pelos ambientes. Já a integração entre área interna e externa é constante, reforçada pelo uso de vidro e pela presença dos jardins.
O imóvel, que já serviu de cenário para o programa Alma de Cozinheira, apresentado pela chefPaolla Carosella no GNT, ostenta as famosas curvas do responsável pela arquitetura de Brasília. Ele também se destaca pela fachada de vidro, que permite a entrada de luz. O pasaigismo da residência foi projetado por Roberto Burle Marx.
A casa possui cinco amplos dormitórios, um deles a suíte master, vaga para sete carros e um grande jardim na área externa. O corredor garante total privacidade, pois impede que os quartos, distantes uns dos outros, se avistem.
Alguns detalhes acabaram virando marca da casa ao longo dos anos. A rampa de madeira que conecta os espaços é um deles. Outro é o corredor curvo que não mostra o final de imediato e ganhou o apelido de “barriguinha” entre os moradores.
Depois da morte de Edith Mitidieri, em 2012, o imóvel passou a receber eventos culturais, exposições e até gravações. Para especialistas, esse tipo de uso pode ajudar a manter o espaço ativo no futuro.
Mesmo com todo esse peso histórico, a casa nunca foi tombada. Isso facilita a venda, mas também levanta dúvidas sobre a preservação de obras importantes da arquitetura brasileira.
Famoso por projetos como a Catedral de Brasília e o Palácio da Alvorada, Niemeyer é um dos maiores nomes da arquitetura mundial. marcou a arquitetura com o uso de curvas e do concreto armado. E essa casa, discreta por fora, resume bem essa forma de pensar o espaço.
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