Entretenimento

O que é aneurisma da aorta, doença que causou a morte da jornalista Wanda Chase

BNews TV
Muitas vezes silenciosa, aneurisma da aorta mata mais de 6,5 mil pessoas por ano no Brasil  |   Bnews - Divulgação BNews TV

Publicado em 04/04/2025, às 11h05 - Atualizado às 11h31   Victória Valentina



A jornalista Wanda Chase morreu na madrugada desta quinta-feira (3), aos 74 anos, após sofrer complicações de uma cirurgia de emergência para tratar um aneurisma dissecante da aorta, no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador. Após contrair uma virose durante o período de Carnaval, a comunicadora procurou ajuda médica e descobriu uma infecção urinária e, em seguida, uma infecção intestinal. No entanto, um dia antes de falecer, teve o diagnóstico da doença silenciosa.

O aneurisma se dá quando há uma dilatação anormal de algum vaso arterial e a camada da aorta - maior artéria do corpo humano, responsável por transportar sangue rico em oxigênio do coração para todo o corpo - se rompe.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews
aneurisma
Reprodução/Clínica Saad

“Quando a parede da aorta fica fraca, a pressão alta do sangue dentro desse vaso faz com que ele se dilate, como se fosse uma bolha. A pessoa pode nascer com a aorta já fraca ou adquirir o problema com o passar do tempo, a partir de fatores como hipertensão arterial descontrolada, fumo ou traumatismo", explicou o cirurgião vascular Nelson Wolosker, ao portal Dráuzio Varella, do Uol.

Os principais fatores de risco estão ligados a formações congênitas e a diversos problemas que podem ser crônicos. Entre eles, estão:

  • Hipertensão arterial, que impulsiona o crescimento dos aneurismas em paredes já fracas;
  • Histórico familiar;
  • Idade acima de 50 anos;
  • Tabagismo, já que o cigarro estimula as células presentes na parede arterial a produzir substâncias que destroem as fibras elásticas que dão resistência e elasticidade;
  • Infecções fúngicas ou bacterianas;
  • Traumas na parede arterial;
  • Doenças que traumatizam a parede da aorta, como diabetes e colesterol elevado;
  • Doenças genéticas, como síndrome de Marfan.

Na maioria das vezes, o quadro clínico é silencioso e não apresenta sintomas (assintomático). Segundo dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), a doença é responsável por mais de 6,5 mil mortes por ano e carrega uma estimativa de dez internamentos médicos por dia, somente no Brasil. 

O diagnóstico da doença pode ser dado por exemplo, através de um ecocardiograma, durante um check-up. Os casos mais comuns, porém, aparecem quando os pacientes sentem fortes dores no abdômen ou na região do tórax e precisam dar entrada imediatamente em unidades de saúde.

Apesar de não existir prevenção do aparecimento dos aneurismas, é possível evitar suas complicações.

"O controle da pressão arterial de forma adequada, o abandono do hábito de fumar, a realização de atividade física regular bem como a visita periódica ao médico com exames de sangue e ultrassom permite o seu diagnóstico precoce e diminui o risco de complicações e óbitos", destacou o cirurgião vascular Marcelo José de Almeida.

Quem era Wanda Chase

Nascida no Amazonas, Wanda Chase construiu uma carreira exemplar no jornalismo, passando por importantes veículos de comunicação, como o Jornal A Crítica, Rede Manchete, TV Cabo Branco, Rede Globo Nordeste e por último, a convite, por 27 anos na TV Bahia.

Além de sua destacada atuação como repórter, editora, colunista e apresentadora, Wanda Chase foi uma militante incansável do movimento negro, lutando por mais visibilidade e inclusão para as comunidades afrodescendentes.

Mesmo após sua aposentadoria, Wanda, continuou ativa, escrevendo sua coluna “Opraí Wanda Chase” no Portal iBahia e trabalhando em projetos como um podcast “Bastidores com Wanda Chase” e um livro sobre a axé music.

Chase era evangélica, fato que surpreendia muitos que a conheciam apenas por seu trabalho na comunicação. Sua partida deixa uma lacuna no jornalismo e na militância pelas causas raciais, áreas em que atuou com paixão e dedicação.

Familiares, amigos e admiradores lamentam a perda e prestam homenagens à jornalista, cuja trajetória servirá de inspiração para as futuras gerações.

O último adeus acontece nesta sexta-feira (4), no Cemitério Campo Santo, na Federação, em Salvador. O velório será a partir das 13h, na sala 3 do local, seguido pela cremação, às 16h.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)