Entretenimento

Órgão de Direitos Humanos acusa Globo de tortura no Quarto Branco do BBB 26

Reprodução / TV Globo
A dinâmica do BBB 26 foi comaprada a tortura da ditadura  |   Bnews - Divulgação Reprodução / TV Globo
Andreza Oliveira

por Andreza Oliveira

Publicado em 01/02/2026, às 11h40



A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), órgão de Estado vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, compartilhou uma carta aberta direcionada à produção do BBB 26. No documento, o órgão faz críticas a dinâmica do Quarto Branco, que teria ultrapassado os limites do entretenimento já que estariam reproduzindo tortura. 


O texto compara os ‘castigos’ da dinâmica com práticas de tortura empregadas durante a Ditadura Militar (1964-19885) no Brasil. A comissão também alertou o público para o risco de banalização do sofrimento físico e psicológico como espetáculo televisivo. 

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews


"Ao utilizar dinâmicas que submetem corpos e mentes a condições extremas --privação de sono, enclausuramento, desorientação espacial, perda da noção de tempo e posições físicas impossíveis de serem sustentadas por longos períodos-- a emissora não apenas testa os limites de seus participantes, mas também os limites da nossa própria humanidade", dispararam. 


“A nossa Constituição Federal, no seu Artigo 5º, é clara: a proibição da tortura e do tratamento degradante é um valor absoluto. Ao transformar esse tipo de sofrimento em espetáculo, a televisão brasileira falha com o seu dever social.”, acrescentou. 


A carta, assinada por representantes da comissão,  da sociedade civil, do Ministério Público Federal e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, foi formalmente encaminhada à direção do canal, representada na figura de Leonora Bardini, diretora da Globo. 


Entre os representantes que assinaram o documento, está Vera Paiva, filha do deputado Rubens Paiva (1929-1971), que foi assassinado na Ditadura Militar e teve sua história contada no filme Ainda Estou Aqui (2024), premiado no Oscar do ano passado como melhor filme internacional.


A CEMDP foi a primeira Comissão de Estado criada para lidar com os legados da época. Fundada no ano de 1995, o órgão continua em atividade, mesmo tendo sido interrompida no fim de 2022. Ela foi recriada e reinstalada pelo governo federal em 2024, atuando para localizar e reconhecer os mortos e desaparecidos pela Ditadura Militar.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)